02 agosto 2010

[saudade]

Ontem andaste feito peixe enfurecido [cá dentro] contra todos os lugares de mim.
Apareces-me devagarinho, aproximas-te feito predador, com gestos calculados e olhar microscópico e invades-me com esta palavra sôfrega e temida.
Escondo-me, recuo, olho-te de frente e engano-te com monossílabos numa ginga estranha e confusa.
Não posso deixar que me voltes a fazer ir ao tapete, que te aproximes com palavras camufladas com tudo o que sabes que não tens para me dar.
Tenho que fechar todas as minhas portas [uma a uma] que abriste sem pedir licença.
Ontem ri livre e tranquila. Rodeada de amigos, de sol e mar azul. E de um peixe enfurecido que me recordou todo o dia esta palavra sôfrega e temida. [Saudade]

1 Comments:

At 13 de agosto de 2010 às 17:16, Blogger Dry-Martini said...

As tuas palavras podem vestir-se de pedras ou pombas de porcelana e nunca, nunca me são indiferentes.

Um beijo [sem muitas palavras]

 

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