31 agosto 2010

[desisto]

sabes, desisto de compreender. desisto de lutar contra mim. desisto de lutar contra ti. desisto de tentar não pensar. desisto de não querer. desisto de deixar de sonhar. desisto de te afastar da minha vida. desisto de tentar polir as palavras. desisto de fazer de conta que não me importo com tudo aquilo que me magoa. desisto de ser boazinha e politicamente correcta. desisto de me colocar sempre na última prioridade. desisto de pensar se não estarei a alucinar. desisto de querer saber o que vai aí dentro. só não desisto de nós. [apenas sei que este ainda não é o nosso tempo]

[falling]


[ariana luna] Lisboa, 2010

25 agosto 2010

[essência]

Tinham-lhe despedaçado o coração num dia tempestuoso de início de Primavera. Tinha prometido ferozmente que não o voltariam a fazer. Que o amor seria apenas o mote dos seus poemas e dos momentos aprisionados nas suas fotografias, mas jamais da sua vida. Juntou todos os pedaços do seu coração com fita-adesiva o melhor que soube e pode e arrepiou caminho numa vida frenética de muitos projectos e viagens.

Um dia, depois de muito tempo a caminhar ilesa, ele apareceu na sua vida. Da forma mais natural e discreta [não fosse ela notar os sinais e activar os alarmes de segurança] conheceu-o numa tarde luminosa num qualquer dia de verão numa praia há muito palmilhada numa roda de amigos. Nunca soube o que a encantou. Se o jeito de menino reguila, os olhos muito negros que a olhavam atentos quando ela falava, o porte altivo, seguro mas afável, o sentido de humor quase infantil ou a sua alegria contagiante.
Alguns meses e muitos encontros casuais depois, fizeram parte da vida um do outro. A descontracção, a atitude descomplicada com que abraçava a vida, o optimismo, a sensualidade típica do país latino onde nascera, a proximidade geográfica e a entrega e confiança que depositava na relação faziam dele um companheiro desejado.

Ele vivia em função dela. Era atento, romântico, sedutor e tranquilo. Ela [sem perceber porquê] viveu longos meses numa tristeza infinita. Um dia diz-lhe que não é a mulher certa para ele e que ele não era o homem certo para ela. Ele tinha tudo o que ela desejava num homem. Apenas não falavam a mesma linguagem e ela sabia claramente que ele nunca iria entender a sua verdadeira essência. O que a emocionava, o que lhe despertava os sentidos, o que lhe iluminava os lugares recônditos do seu coração despedaçado.

24 agosto 2010

[don't say anything and]


[Joel Meyerowitz, 1965]

21 agosto 2010

[agora]


[ariana luna]

19 agosto 2010

[pause]

não sinto nada. nada.
está tudo anestesiado
[recuso-me a pensar]


[getty images]

14 agosto 2010

[as noites]

há dias assim 
cheios de sol, mar azul e riso fácil 
em que me libertas de ti, mas
à noite dormes sempre comigo

[deviantART]

12 agosto 2010

[quase nada]

eu que não sei quase nada do mar
descobri que não sei nada de mim
Maria Bethânia


[deviantART]

09 agosto 2010

[gotan project]

[estiveste lá. O tempo todo. do meu lado.]

[ariana luna] 2 Agosto 2010

02 agosto 2010

[saudade]

Ontem andaste feito peixe enfurecido [cá dentro] contra todos os lugares de mim.
Apareces-me devagarinho, aproximas-te feito predador, com gestos calculados e olhar microscópico e invades-me com esta palavra sôfrega e temida.
Escondo-me, recuo, olho-te de frente e engano-te com monossílabos numa ginga estranha e confusa.
Não posso deixar que me voltes a fazer ir ao tapete, que te aproximes com palavras camufladas com tudo o que sabes que não tens para me dar.
Tenho que fechar todas as minhas portas [uma a uma] que abriste sem pedir licença.
Ontem ri livre e tranquila. Rodeada de amigos, de sol e mar azul. E de um peixe enfurecido que me recordou todo o dia esta palavra sôfrega e temida. [Saudade]