28 outubro 2009

3

[o estaminé faz 3 anos hoje]

[deviantART - montagem]

[Estes foram seguramente os 3 anos da minha vida em que tive mais mudanças, alegrias, desilusões e desafios. Fizeram-me crescer e ver o mundo de uma outra perspectiva. Comemoro os caminhos bons e os menos bons, as decisões mais acertadas e as que me fizeram tropeçar, os dias de maior alegria e aqueles que me apertaram o coração até ficar do tamanho de uma ervilha. Tudo isso me levou até aqui. Tudo isso vos levou até mim. O estaminé faz uma pausa por tempo indeterminado. Vemo-nos em breve.]

26 outubro 2009

até ao fim

Não tenhas medo, não te mexas, fica em silêncio, ninguém nos verá.

Fica assim, quero olhar para ti, olhei-te muito mas não eras para mim, agora és para mim, não te aproximes, por favor, fica como estás, temos uma noite para nós e eu quero olhar para ti, nunca te vi assim, o teu corpo para mim, a tua pele, fecha os olhos, e acaricia-te, por favor, não abras os olhos se puderes, e acaricia-te, são tão bonitas as tuas mãos, sonhei com elas tantas vezes, agora quero vê-las, gosto de as ver na tua pele, assim, por favor, continua, não abras os olhos, eu estou aqui, ninguém nos pode ver e eu estou ao pé de ti, acaricia-te […], não abras os olhos, ainda não, não tenhas medo, estou perto de ti, sentes-me? Estou aqui, posso aflorar-te, isto é seda, sentes?, é a seda do meu vestido, não abras os olhos e terás a minha pele, terás os meus lábios, quando te tocar pela primeira vez será com os meus lábios, tu não saberás onde, a determinada altura sentirás o calor dos meus lábios, sobre ti, não podes saber onde se não abrires os olhos, não os abras, sentirás a minha boca onde não sabes, de repente, talvez seja nos teus olhos, apoiarei a minha boca nas pálpebras e nas pestanas, sentirás o calor entrar na tua cabeça, e os meus lábios nos teus olhos, dentro, ou talvez seja no teu sexo, apoiarei os meus lábios, lá em baixo, e descerrá-los-ei descendo pouco a pouco, deixarei que o teu sexo entreabra a minha boca, entrando entre os meus lábios e empurrando a minha língua, a minha saliva descerá ao longo da tua pele até à tua mão, o meu beijo e a tua mão, um dentro do outro, no teu sexo, até que finalmente te beijarei o coração, porque te quero, e com o coração entre os meus lábios tu serás meu, de verdade, com a minha boca no coração tu serás meu, para sempre, se não acreditas em mim abre os olhos […] e olha para mim, sou eu, quem poderá alguma vez apagar este instante que acontece, e este meu corpo sem mais seda, as tuas mãos que lhe tocam, os teus olhos que olham para ele. […], não há fim, não acabará, vês? Ninguém poderá apagar este instante que acontece, para sempre atirarás a cabeça para trás, gritando, para sempre fecharei os olhos arrancando as lágrimas das minhas pestanas, a minha voz dentro da tua, a tua violência a manter-me agarrada, já não há tempo para fugir nem força para resistir, tinha de ser este instante, e este instante é, acredita em mim, […], este instante será, de agora em diante, será, até ao fim […]

Alessandro Baricco, in Seda [texto surrupiado ao mano]

22 outubro 2009

dentro de mim

E no meio de um inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.

Albert Camus


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21 outubro 2009

perfeição

um dia, quando a ternura for a única regra da manhã, acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela. e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor. um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for tão distante, quando o frio responder devagar como a voz arrastada de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade.

José Luís Peixoto, in a criança em ruínas

[Chris Craymer]

20 outubro 2009

carne

Nem todo o corpo é carne… Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco…?

E o ventre, inconsistente como o lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor Nem todo o corpo é carne;
é também água, terra, vento, fogo

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

Vulto da Primavera em pleno Outono
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

David Mourão Ferreira


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16 outubro 2009

sweet weekend

[vou fazer coisas doces...]

15 outubro 2009

Parabéns querida amiga

13 outubro 2009

assim. sem + nem -

Eu sou o menos difícil dos seres.
Tudo o que quero é um amor sem limites.


Frank O'Hara

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[Aprender a pedir o que (e como) se quer é uma arte.]

12 outubro 2009

petit gateau

[As coisas boas quando são partilhadas sabem sempre bem melhor...]

09 outubro 2009

ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira, in Obra Poética


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05 outubro 2009

lazy day

[Há dias perfeitos. Como o de hoje.]

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