29 junho 2009

arriscar

Só pode voar quem arriscar cair.
Só se pode dar quem arriscar sentir.

Mafalda Veiga, in Abraça-me bem

[deviantART - imagem manipulada]

27 junho 2009

querer

Querer alguém, ou alguma coisa, é muito fácil. Mesmo assim, olhar e sentirmo-nos querer, sem pensar no que estamos a fazer, é uma coisa mais bonita do que se diz. Antes de vermos a pessoa, ou a coisa, não sabíamos que estávamos tão insatisfeitos. Porque não estávamos. Mas, de repente, vemo-la e assalta-nos a falta enorme que ela nos faz. Para não falar naquela que nos fez e para sempre há-de fazer. Como foi possível viver sem ela? Foi uma obscenidade. Querer é descobrir faltas secretas, ou inventá-las na magia do momento. Não há surpresa maior.
O que é bonito no querer é sentirmo-nos subitamente incompletos sem a coisa que queremos. […] Por que razão não nos sentimos inteiros quando queremos? É porque a outra pessoa, sem querer, levou a parte melhor que havia em nós, aquela que nos faz mais falta. É a parte de nós que olha por nós e nos reconcilia connosco. Quanto mais queremos outra pessoa, menos nos queremos a nós…
Querer é mais forte que desejar, pelo menos na nossa língua. Querer é querer ter, é ter de ter. Querer tem mesmo de ser. Na frase felicíssima que os Portugueses usam, "o que tem de ser tem muita força". Desejar tem menos. É condicional. Quem deseja, desejaria. […]
O querer é bonito porque, concentrando-se na coisa ou na pessoa que se quer, elimina o resto do mundo. O resto do mundo é uma entidade muito grande que tem graça e tem valor eliminar. Querer um homem em vez de todos os outros homens, uma mulher em vez de todas as outras mulheres é fazer a escolha mais impossível e bela. Acho que se pode ter tudo o que se quer de muitas pessoas ao mesmo tempo, mas que não se pode querer senão uma pessoa. Ter todas as pessoas não chega para nos satisfazer, mas basta querer só uma, e não a ter, para nos insatisfazer. É por isso que se tem de dar valor à vontade.


Miguel Esteves Cardoso

[vi.sualize.us]

26 junho 2009

[porque só assim faz sentido]

Deitada és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias

Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias.

David Mourão-Ferreira

[vi.sualize.us]

25 junho 2009

running

Porque estou a adorar cada maravilhoso horrível minuto.
[Slogan Adidas ao novo equipamento de running Supernova Glide]

[vi.sualize.us]


[Não me demoro. Vou lá fora testar o equipamento novo junto ao mar e já volto...]

23 junho 2009

S. João

Santo António já se acabou
O S. Pedro está-se a acabar.
S. João, S. João, S. João.
Dá cá um balão para eu brincar.

[ariana luna]

[Como manda a tradição, o S. João comemora-se há muitos anos na casa do J. É um prazer rever amigos que habitualmente não vejo e rir-me com eles durante uma noite inteirinha. É mesmo muito bom!... Hoje será assim. Para não quebrar a (minha) tradição. Façam o favor de também se divertirem, sim?]

22 junho 2009

amazing life

[surrupiado daqui]

19 junho 2009

scrabble

[surrupiado daqui]


[Sempre. Apesar de tudo. Dos passos em falso, das pequeninas ilusões, das pedrinhas no sapato, dos contratempos, das desilusões, das surpresas menos agradáveis, das noites mal dormidas, das derrotas, dos caminhos difíceis, das máscaras, das palavras atiradas ao acaso. Apesar de tudo. I am a dreamer. Always.]

15 junho 2009

cá dentro

Voa coração.
Ou então arde.

Eugénio de Andrade


[Getty Images]


[Há dias em que não queria ter coração. Queria sentir menos. Anestesiá-lo. Desligá-lo das máquinas. Dizer-lhe baixinho que não sinta. Apertá-lo com força até lhe tirar todo o sangue. Tirar-lhe umas peças se possível.]

14 junho 2009

in your dreams

She is in love.
I don't even know her!
Oh, you know her.
Since when?
Since always. In your dreams.

[diálogo do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain]

[imagens do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, um dos filmes que nunca me canso de rever]

13 junho 2009

viver

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,

amanhã,
espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer


António Variações, in Quero é Viver

[Fazem hoje 25 anos que morreu o António. Na nossa memória e na nossa cultura, a sua voz continua viva. Sempre. ]

10 junho 2009

eternidade

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Carlos Drummond de Andrade

[DeviantART - pormenor]

09 junho 2009

nas minhas mãos

Olhei para ti como há muito tempo não o fazia. Acariciei-te com dedos de lã e puxei-te contra o meu peito. Senti o teu peso nas minhas mãos. Os mágicos espelhos a projectarem-te para mim. A textura da tua pele. Encostei-te ao ouvido para te escutar a deslizar por dentro. A sentir-te minha. Recordei os momentos que eternizamos, os risos que captamos, as noites que te fiz disparar acelerada, as manhãs cuja luz foi só nossa. Prometo que não fico tanto tempo sem dar notícias.

[DeviantART - pormenor]

[Vou mostrar-te a minha praia. O meu paraíso. Amanhã vamos ser - como sempre fomos - uma só.]

08 junho 2009

[sem] gravidade

[Por vezes, nem é preciso mudar o caminho ou a direcção. Basta mudar a perspectiva.]

[Getty Images]


gravidade » força atractiva que a massa da Terra exerce sobre os corpos; [No movimento em queda livre, a aceleração da gravidade tem como valor médio 9,8 m/s.]

06 junho 2009

bastava

Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.

Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar.
Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.

Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.


Joaquim Pessoa


[DeviantART]

05 junho 2009

rabisco

Querido(a) vizinho(a) acha bonito andar a rabiscar a parede no meu espaço da garagem?

[Se o(a) apanho nesta brincadeira, vamos ter uma conversa…]

04 junho 2009

caminho

Quase gosto da vida que tenho. Não foi fácil habituar-me a mim. Tive de me desfazer das coisas mais preciosas, entre elas de ti. Sim, meu amor, tive de escolher um caminho mais fácil. […] Não sei se valeu a pena mas também não me pergunto se valeu a pena. Há muitas coisas assim. Não é desistir, é só dar demasiada importância a coisas que não a têm.

Pedro Paixão in A Noiva Judia


[DeviantART - pormenor]

02 junho 2009

devagarinho

Quero fazer contigo
o que a Primavera faz com as cerejeiras.


Pablo Neruda in Poema 14

[DeviantART - pormenor]

01 junho 2009

once upon a time

Fecho os olhos e estás ao meu lado. A sorrir com aquele sorriso tímido que se abre lentamente e te ilumina os olhos que passam de tristes a sonhadores. Pegas na minha mão e passeias os teus dedos pelos meus tão suavemente como se não pudesses ver e me quisesses conhecer tacteando a minha pele. Dizes que me vês inteira e completa, e que lá dentro [onde não conseguia chegar] brinca uma menina com estrelas-do-mar e flores no cabelo. Cozinhas pratos mágicos e o meu rosto sorri com as cores que desenhas para mim. Arranjas o puff vermelho com as tuas mãos que agarram o mundo inteiro e saltamos ao mesmo tempo como quem tenta apanhar aquela nuvem perfeita. Agarras-me e seguras-me e prendes-me a ti com tanta força que me sinto sufocar. Passo a mão na tua cabeça como se pudesse ler-te o pensamento e chegar-me a mim. Conto secretamente os passos que dás pela casa e adivinho a sombra projectada pelo teu perfil. Pintamos no tecto uma lua prateada e rimos até às lágrimas das parvoíces, das ausências e dos desencontros. Cantas para mim baixinho até eu adormecer do teu lado e entro sorrateira nos teus sonhos. Caminhamos pela areia morna à hora das gaivotas e congelamos todos os momentos para mais tarde relembrar as cores dos dias leves e felizes. Beijas a curva do meu ombro para me acordar delicadamente e abres a janela para a manhã derramar sobre nós aquela luz conhecida. Enroscas-te a fingir que queres rever um filme antigo e adormeces nos meus braços protegido de todas as sombras. Ficas a ronronar muito quieto e eu não ouso mexer um único músculo. Fico a olhar-te como se nada mais existisse. As curvas perfeitas dos teus lábios e a cicatriz enigmática que conheço milimetricamente. Aproximo-me de mim cada vez que te chegas mais perto. Arrancas com as tuas mãos toda a tristeza arquivada no meu coração e dizes-me que nunca irás desistir de mim. Porque me vês com uma certeza inabalável. Porque não existe mais ninguém para ti em toda a galáxia. Porque sabes que sou eu desde o primeiro dia. Quando escrevi para ti e completei as tuas palavras.

Fecho os olhos e estás ao meu lado.


[ariana luna]