31 dezembro 2008

2009

Um 2009 pleno de leveza e genuína alegria.
a
[Getty Images]

23 dezembro 2008

natal

Amanhã é véspera de Natal.
Ou melhor, amanhã para mim, também é Natal.
Abstraiam-se por breves momentos [vá lá, é um minuto apenas] da correria desenfreada, do trânsito absurdo, do consumismo sem sentido, dos aborrecimentos, do frio e das mensagens formatadas de Boas Festas.

Fechem os olhos e pensem naquele sorriso especial que tiveram daquela criança na fila do supermercado, do abraço cheio de saudades do amigo distante, daquele jantar memorável com o amor da vossa vida, da gargalhada sentida dada com os amigos, do telefonema que receberam do vosso irmão, do carinho único da mamã, do gesto amável da funcionária dos CTT, do mimo de quem está mais próximo, dos mimos ainda mais especiais de quem está longe mas pertinho do coração.

Esse é o meu Natal. O meu pequenino Natal que tento comemorar um minuto por dia, todos os dias. [Nem sempre consigo, é certo.] Este Natal [de 1 dia apenas] parece-me desprovido de significado. O meu Natal de um ano inteirinho parece-me bem melhor.

Para todos que me querem bem, o melhor dos Natais.

Todos dias.

[Para ti, minha avó-menina, estejas onde estiveres, a guardar com as tuas asas os teus filhos e os teus netos, o nosso abraço apertadinho de sempre.]

18 dezembro 2008

decisão

O primeiro passo para conseguirmos o que queremos na vida é decidirmos o que queremos.
Ben Stein

17 dezembro 2008

síndrome de filha única

ariana, precisamos conversar
[preciso de momentos a sós comigo]

[Getty Images]

[Para pensar. Para deixar de pensar tanto.]

16 dezembro 2008

in love

canecas Pantone

[Para chás de todas as cores.]

12 dezembro 2008

intimidade

Esqueço-me dos nomes todos. Tu não?
Eu esqueço-me das pessoas.
Mas eu não era assim.
Eu também não.
Eu lembrava-me de tudo.
Tudo é muito. Acaba por não caber. O importante é que te lembres de mim, sim?
Isso não posso. Como é que queres, se te trago comigo dentro de mim?

[…]

O que é que tu estás a fazer em mim?
Eu estou a escrever em ti.
Para mim?
Para os que sabem ler.
Amanhã vou para dentro de ti.
Não gosto que invadas assim o meu espaço.
Não sabia que o meu amor era um astronauta.
Não sejas parvo.
Vou para dentro de ti.
Sabes onde fica?
Nem quero adivinhar.


Pedro Paixão, in Muito, meu amor


[Getty Images]

08 dezembro 2008

de olhos abertos

Andar à deriva é tão diferente. E podemos continuar sem preocupações… Derretendo a memória até que fique tão fina. Que nos deixe passar… espreitar e rir…
Ontem foi um desses dias. Em que acordamos e os olhinhos não querem fechar, já sabendo que não o farão.
Ficamos a percorrer estradas que não são de terra. Ficamos a pensar na ternura e outras letras menos brilhantes. É incrivelmente belo, diria que feito de momentos, em que já só sai uma raiva tão calma e sem nexo. Depois pensamos com menos clareza, pois o cansaço não ajuda, apesar do que dizem. Lembramo-nos de que nos torce. Do que nos faz sofrer. Arriscamos uma lágrima que não chega a sair, porque percebemos que é relativa.
Era confuso, mas de gigante… poder abandonar tremores demasiado complexos. E poder saltar, mas baixinho… perante o que não é tão forte e só vive da nossa teimosia em continuar.
Depois, ainda de olhos abertos, olhei para fora de mim.

Nuno West, in O Duende Feliz

01 dezembro 2008

arranquem-me o coração

De manhã abria a janela por onde entrava uma vaga de luz e colhia uma laranja que descascava com dedos. Oferecia-me os seus gomos, que de azedos contrastavam com o doce dos seus beijos.
«Ninguém sabe despertar assim tantos prazeres no meu corpo» dizia-me. E eu perguntava: «Ninguém?» E ela calava-se.

Sereia na banheira com a pele descoberta muito branca, transparente. Veias violetas para os indiscretos como eu, espreitando pela janela em equilíbrio instável.
E os olhos dela fazem lembrar o mar (mas não falemos dos olhos que quase fazem chorar) e as escamas todas nos meus olhos.

Torradas de mel com golos pequenos de chá na varanda de casa, terras de Espanha ao fundo, e o seu corpo quente ainda na memória.
«Esquece-te de tudo.» dizia. «Fica só com o sabor quente do chá e os olhos a piscarem da luz demasiado intensa. Deita pela varanda fora tudo o que tens trazido agarrado a ti: pequenas falhas, anseios, desejos vagos, o livro por escrever.»

Fecho os olhos e ao tocar no chá quente com os lábios concentro-me unicamente num rasto do seu corpo ainda quente nos meus dedos. O amor nada tem a ver com a mentira ou a verdade, eu aprendi. O que o amor muito grande faz é enlouquecer e eu já enlouqueci.

«Estou aqui. Não me vês? Estou aqui. Olha para mim.» dizia. E eu perguntava: «Olhaste para mim? Porque é que olhas para mim?». E ela calava-se.

Constantemente interrompidos por chegadas e partidas desfazem-se os beijos quando começamos a dá-los. Rasgamos abraços e tu dizes: «Podias ser um assassino, mas eu sem ti não acredito em mim». A vida é uma porcaria, digo, e depois arrependo-me.

[…]
Quem me livra deste amor que eu não escolhi?


Pedro Paixão, in Histórias Verdadeiras

[Getty Images]