25 novembro 2008

sweet

Não é com vinagre que se apanham moscas.

provérbio popular


[Getty Images]

21 novembro 2008

avó

Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas. Nunca dizem 'Despacha-te!'. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior. As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo. Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós. Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver televisão.

Texto escrito por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo


[Sabes Avó, nunca amei ninguém como te amo a ti. Continuas – apesar de já não estarmos juntas vai para 7 anos – a ser a pessoa que melhor me conhece e que me acolhe nos braços fortes de mulher delicada e frágil. Continuas a ser a matriarca da família, a sorrir com o teu sorriso de menina e o olhar-me com os teus olhos sábios e ternos. Sabes Avó, às vezes sinto-me perdida e continuo a correr para ti para sossegar a minha tristeza. Continuas a ensinar-me tudo acerca da ternura, das flores, da lua e dos bichos e eu continuo a ler-te durante horas porque os teus olhos deixaram de ver as coisas deste mundo. Tenho muitas saudades tuas, apesar de te sentir todos os dias minha Avó.]

20 novembro 2008

asas

[era do que hoje eu precisava]

[Getty Images]

18 novembro 2008

deserto

Um a um, vou arrancando os espinhos.

[Getty Images]

17 novembro 2008

croma

"... cores perdidamente vivas, sem sombra de delicadeza, verdes que eram azuis, azuis que eram violeta; o ouro dos recipientes para a água, pequenos e preciosos como escrínios; as concentrações da turba vestida de faixas de pano adejantes; os sorrisos nos rostos negros sob os turbantes brancos – tudo isso reverberava nos meus olhos, imprimindo-se na córnea com uma violência tal que a traçava."

Pier Paolo Pasolini, in O Cheiro da Índia

para sempre

quando for grande
[e tiver uma casa com jardim]
quero ter um destes
[quem diz um, diz dois ou três]


[Getty Images]

14 novembro 2008

dark

Sei que deveria estar feliz. Aliás, a rejubilar de alegria e a salivar com a notícia. Depois de um Verão [inteirinho] sem Ferrero Rocher ou Mon Chéri, lá voltaram às prateleiras os chocolates mais "pseudo-elitistas" [o que eu gosto de inventar palavras!].
O Ambrósio andou a o oferecer rebuçados Flocos de Neve [quem se lembra?] à sua senhora toda a estação quente e agora já pode voltar a ter "a liberdade de pensar nisso" [seja lá o que for que ele pensa].

[Pena que eu só goste de chocolate negro e amargo.]

claustrofobia

Hoje o mundo inteiro parece-me demasiado pequeno. Há dias assim.

[Getty Images]

13 novembro 2008

hoje apetecia-me…

para me adoçar o dia

12 novembro 2008

evolução

Na expressão máxima da evolução humana o nosso corpo incluiria [de série] uma tecla Delete [para o cérebro] e uma tecla Restart [para o coração].
E tenho dito.

[Getty Images]

11 novembro 2008

tsé-tsé

Fui picada pela mosca tsé-tsé. É a única explicação que encontro para esta vontade irreprimível de dormir.
A outra possibilidade é que esteja a recuperar de uma vida inteira de noites de sono curtas e mal dormidas, o que significa que estaria
[pelo menos] 4 anos a dormir ininterruptamente, o que se afigura fora de cogitação.

Pois bem, dormir faz bem. Nos adultos, entre 7 a 9h. Durante o sono são produzidas hormonas que ajudam a combater infecções e que regulam o nosso metabolismo; são estimulados os centros nervosos que intervêm no raciocínio, na concentração e na memória e é produzida a hormona do crescimento que nos adultos ajuda a formar massa muscular e a reparar as células e tecidos.

Por outro lado, quando se dorme pouco e mal, aumentamos o risco de desenvolver diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, excesso de peso, depressão, disfunções ao nível da percepção, concentração e capacidade de reacção e aumentamos sobremaneira o perigo de acidentes de viação.


[Getty Images]

[Tinha a ideia [peregrina] que dormir 1/3 da vida era uma colossal perda de tempo. Pois bem, para melhor muda-se sempre. Por isso, façam pouco barulho, fechem as janelas [que gosto de escuridão total] e
bons sonhos para todos.]

06 novembro 2008

o amor é...

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor - e depois?!


Alexandre O'Neill, in Poesias Completas

Magestic

«Acaba de dar-se entre nós o exemplo do que deva ser um café. Trata-se do novo estabelecimento desta classe, que vem de inaugurar-se num dos grandes pontos centrais do Porto, à entrada da Rua de Santa Catarina. É um dos mais nobremente sumptuosos que conhecemos, pelo que se justifica bem o seu título: Magestic. […] As senhoras da melhor sociedade portuense frequentam-no e aqui está o exemplo aberto para uma nova e grata função do café no nosso país.»

André de Moura, in revista Illustração Portugueza, 1923


[ariana luna] Café Magestic, Porto, Novembro 2008

[Uma referência histórica e arquitectónica da cidade do Porto, o café
Magestic é um exemplo de bom gosto, aliando cultura e elegância num local repleto de charme.
Inaugurado a 17 de Dezembro de 1921 com o nome de Elite, mudando para o actual nome a 31 de Julho de 1922 com a entrada de um novo sócio. Local de tertúlias de artistas e escritores, a café Magestic apresenta-se como local privilegiado de convívio do meio intelectual da cidade do Porto. Encerra em Setembro de 1992 para um profundo restauro, reabrindo com a traça original em Julho de 1994 com todo o seu esplendor. Uma proposta sempre apetecível para um chá, um concerto de piano, um recital de poesia ou uma exposição de pintura.]

05 novembro 2008

formiga-rabiga

eu sou a formiga-rabiga
que te salta em cima
e te fura a barriga

eu sou a
cabra-cabrês
que te salta em cima
e te faço em três

[Lembrei-me disto um dia destes, algures perdido entre as memórias da infância. Alguém se recorda?]