30 maio 2008

cerejas

Deliciada com tantas cerejas...
[com as melhores cerejas do mundo... as do Fundão...]


[Getty Images]

[A minha reclamação de ontem resultou. Depois de uma semana tempestuosa (no final de Maio?!?), hoje está um dia radiante com céu azul e um sol lindo!...]

29 maio 2008

quero sol

Ei, aí em cima!? Qual foi a parte de "quero sol" que não percebeste?

[tenho que te fazer um desenho ou
explicar-te como se tivesses 4 anos?]

[Getty Images]

27 maio 2008

tango

Este ano vou aprender tango.
[ao som de Piazzolla... vou-me deixar levar...]

[Getty Images]

25 maio 2008

cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço. […]
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos


[Getty Images]

21 maio 2008

voar

Um dia destes levanto voo.
[qualquer dia destes... sem pressas...]

[Getty Images]

19 maio 2008

curvas

Não é o ângulo recto que me atrai.
Nem a linha recta, dura, inflexível,

criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual.
A curva que encontro nas montanhas

do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar
nas nuvens do céu,

no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein.


Oscar Niemeyer

[DeviantArt]

16 maio 2008

homens

Os homens são brutos e insensíveis. Matam mais criancinhas, portam-se pior à mesa, cospem e coçam-se mais. Os homens – e sobretudo os homens que gostam de mulheres – são menos inteligentes, menos delicados e menos civilizados que as mulheres. A única coisa que têm a favor deles, à parte de certas características discutíveis, como serem menos histéricos, é as mulheres gostarem deles.
Por que é que as mulheres gostam dos homens? Como lésbica que sou nunca entendi.

Miguel Esteves Cardoso


[Depois de uns dias com 3 cromos – daqueles de colecção, raros e com impressão metálica, onde o texto citado assenta como uma luva – começo a dar mais valor a alguns homens…]

13 maio 2008

bonsai

Procuro um Bonsai.

[Ainda não descobri o meu bonsai, embora tenha apreciado num local mágico, dezenas destas pequenas árvores que me transportam para um jardim secreto, onde só cabem sonhos felizes…]

11 maio 2008

blueberry kiss

Às vezes olhamos para as pessoas como um espelho. E esse reflexo faz com que gostemos mais de nós próprios. *

* do filme
My Blueberry Nights, de Wong Kar Wai

[the juicy kiss]

08 maio 2008

acordo ortográfico

Não vou falar das novas regras a serem implementadas a breve trecho, do meu desagrado por este delapidar da nossa cultura ou tampouco das inúmeras cedências de Portugal para fazer parte do rebanho.
Vou antes falar do meu amor pelo meu país e em especial pela minha língua, a expressão máxima de um povo.


Gosto da palavra desde que me conheço por gente.

Gosto-lhe da forma, da fonética, do seu desenho ondulante, da forma como o som brinca com a minha língua e como a minha respiração se altera para a pronunciar.
Não gosto de gíria, de calão, de palavras abreviadas para escrever no telemóvel ou no msn. De palavrinhas nem de palavrões. Amo demasiado a minha língua para o fazer.
Gosto de palavras novas e de palavras de sempre. De sotaques, de expressões idiomáticas e de cariz popular. De palavras com gente dentro.
Não gosto que falem mal da minha língua nem que me obriguem a falar uma outra no meu país.
Gosto de fazer amor com as palavras nos meus poemas. De as lamber e trincar. Devagarinho. Para lhes sentir o aroma e o sabor.


Não quero alterar a minha escrita.
Não me quero perder num mar de palavras cujo traçado vou desconhecer.
Não quero recear escrever incorrectamente e estar sempre em dúvida.
Não quero que me tirem a identidade. Não quero.


[ariana luna]

07 maio 2008

carta de amor

Adoro-te minha gata de Janeiro meu amor minha gazela meu miosótis minha estrela aldebaran minha amante minha Via Láctea minha filha minha mãe minha esposa minha margarida meu gerânio minha princesa aristocrática minha preta minha branca minha chinezinha minha Pauline Bonaparte minha história de fadas minha Ariana minha heroína de Racine minha ternura meu gosto de luar meu Paris minha fita de cor meu vício secreto minha torre de andorinhas três horas da manhã minha melancolia minha polpa de fruto meu diamante meu sol meu copo de água minhas escadinhas da Saudade minha morfina ópio cocaína minha ferida aberta minha extensão polar minha floresta meu fogo minha única alegria minha América e meu Brasil minha vela acesa minha candeia minha casa meu lugar habitável minha mesa posta minha toalha de linho minha cobra minha figura de andor meu anjo de Boticelli meu mar meu feriado meu domingo de Ramos meu Setembro de vindimas meu moinho no monte meu vento norte meu sábado à noite meu diário minha história de quadradinhos meu recife de Manuel Bandeira minha Pasargada meu templo grego minha colina meu verso de Höderlin meu gerânio meus olhos grandes de noite minha linda boca macia dupla como uma concha fechada meus seios suaves e carnudos meu enxuto ventre liso minhas pernas nervosas minhas unhas polidas meu longo pescoço vivo e ágil minhas palavras segredadas meu vaso etrusco minha sala de castelo espelhada meu jardim minha excitação de risos minha doce forquilha de coxas minha eterna adolescente minha pedra brunida meu pássaro no mais alto ramo da tarde meu voo de asas minha ânfora meu pão-de-ló minha estrada minha praia de Agosto minha luz caiada meu muro meu soluço de fonte meu lago minha Penélope meu jovem rio selvagem meu crepúsculo minha aurora entre ruínas minha Grécia minha maré cheia minha muralha contra as ondas meu véu de noiva minha cintura meu pequenino queixo zangado minha transparência de tules minha taça de oiro minha Ofélia meu lírio meu perfume de terra meu corpo gémeo meu navio de partir minha cidade meus dentes ferozmente brancos minhas mãos sombrias minha torre de Belém meu Nilo meu Ganges meu templo hindu minha areia entre os dedos minha aurora minha harpa meu arbusto de sons meu país minha ilha minha porta para o mar meu manjerico meu cravo de papel minha Madragoa minha morte de amor minha Ana Karénine minha lâmpada de Aladino minha mulher.

Lobo Antunes

[texto gentilmente enviado por este menino]

06 maio 2008

prazeres

Foram dias de risos, amigos, viagens, encontros, cumplicidades, partilha, jantares de palhaçada, descoberta de novos lugares, maresia, reencontros, novos amigos, gargalhadas noite adentro, miradouro sobre as luzes ténues da cidade, noite quente na Baía, cantoria das músicas da nossa infância, chá de frutos da paixão, passeios em Sintra, museus repletos de memórias, ruas históricas, lojas com objectos irresistíveis, pequenos-almoços em cafés estranhamente simpáticos, esplanadas na marina, novos sabores, conversas até adormecer, andorinhas na varanda, 19 aviões pela madrugada, conversas sobre carros e mais carros, pequenos segredos, sorrisos e olhares que riam mais ainda, recordações felizes, abraços sentidos, gatos espalhados a colorirem a minha noite, tostas de mozzarella, baleias às riscas, caminhadas intermináveis, coração tranquilo.

Enfim… dias de prazeres.


[ariana luna] Lisboa, Maio 2008