09 fevereiro 2008

simplicidade

Se podes olhar, vê.
Se podes ver, repara.

Livro dos Conselhos

Para a R., pela nossa conversa sincera e afectuosa de ontem

Somos feitos de carne, água e sonhos.

De esperanças, ilusões, memórias e intimidades.
Olhar alguém apenas pelo que é, mostra-se grande parte das vezes uma tarefa inglória. Conseguimos realmente conhecer alguém?
[Alguma vez me conseguiste ver quando me olhavas? Saber como sou verdadeiramente?]
Não ver somente a pele, a voz, os gestos, o olhar, a forma como fala ou caminha, as expressões, a imagem que vamos construindo do que pensamos ou escutamos sobre determinada pessoa.
Será que conseguimos olhar alguém que amamos, de coração limpo e olhar isento?

[O que tentaste ver para além do azul dos meus olhos?]

Um mimo é somente isso, um mimo. Não tem que querer dizer mais nada.
Um abraço pode ser só a falta dos teus braços. Nada mais.
Interpretamos demasiado. Analisamos e esmiuçamos as coisas mais simples.
Fazemos do nosso umbigo o centro do universo.

Não tentamos saber como o outro é verdadeiramente.
Deixamos que nos plantem cá dentro sementinhas de incerteza.

Será que tentamos olhar com o coração aqueles que amamos?
[Viste-me através do filtro dos teus olhos, minados por anos de repressões, desilusões e pelo medo de construir um amor feliz e transparente.]
Conhecer os seus desejos, os seus medos, ajudá-lo a crescer como pessoa.
[Tentaste saber o que me faz feliz? Saber de que cor são os seus sonhos? O que me faz sorrir por dentro? O que me dá asas?]
É difícil, eu sei. Tão extraordinariamente difícil e por isso mesmo tão precioso.

No amor [em qualquer das suas formas ou expressões] o importante não é encontrar [seja o que se pense que se procura] mas a abertura [da mente e do coração] para a possibilidade da descoberta.
Do outro e de si mesmo.

4 Comments:

At 9 de fevereiro de 2008 às 21:06, Blogger Abelha Rainha said...

Vivemos na era da máscara de ferro. Qualquer manifestação de paixão, de amor, de entrega é uma área de fraqueza na nossa armadura. Quanto mais vulneráveis formos, menos integrados estamos.
Mas não há melhor sensação do que a de ser amado sem reservas. E então, como tudo está encerrado, mendigamos sinais e interpretamos migalhas de sonho.
Ainda há por aí alguém que seja capaz de manifestar, sem reservas, amor incondicional?
E “AMO-TE” já caiu em desuso.

 
At 10 de fevereiro de 2008 às 23:56, Blogger miak said...

Tudo (ou quase) se resume a amor, respeito e muita calma. Será?

 
At 12 de fevereiro de 2008 às 15:49, Blogger Euzinho said...

Nunca vamos ser o que realmente somos para os outros. Não porque tenhamos reservas ou medos, mas sim, porque seremos sempre o que representamos para quem nos vê.... Não sou quem sou, sou o que represento para quem me vê....

 
At 12 de fevereiro de 2008 às 19:55, Blogger Rosa said...

O amor, minha linda, é cego... E estúpido e burro também, cada vez mais me convenço! ;)
Um beijo.

 

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