06 outubro 2007

a verdade da mentira

A única coisa de que realmente tenho medo é da mentira. Tudo o resto, melhor ou pior, mais fácil ou mais dificilmente – com exclusão da morte – se resolve. Mas a mentira não deixa ninguém impune.
Corrói lentamente todos os que a tocam. Contamina todas as palavras, pensamentos, todos os olhares. Destrói laços e semeia a desconfiança. Envolve em neblina a vida que deve ser vivida com transparência.

Tenho desde muito miúda a maior das aversões pela mentira. É importante salientar que para mim a mentira é a ausência da verdade, seja ela uma omissão, deturpação, ocultação, "meia-verdade", "mentirinha piedosa", ou muito simplesmente o chamado "mal entendido" que se atribui a tudo o que se descobre como mentira. Não consigo, não gosto nem quero viver a minha vida sem a plena e total consciência do que penso, do que digo e do que sinto.
Nunca consegui sorrir para quem não simpatizo, entrar com um "copianço" dentro da sala de aula, contar uma mentirinha adolescente para tranquilizar os pais, justificar um atraso de um trabalho com uma qualquer patranha, parecer feliz quando estou triste e acima de tudo, mentir a alguém que amo.
Posso ser demasiado directa, dura com algumas pessoas, cruel com a minha franqueza, mas quem me conhece sabe com o que pode esperar de mim.
Explicaram-me há tempos que o nosso signo astrológico determina quem somos e o nosso ascendente a forma como nos mostramos aos outros. O meu signo e o meu ascendente são iguais e, embora não siga ou acredite piamente nos princípios astrológicos, não sou céptica e talvez daí a minha aversão pela mentira.

[Agradeço aos amigos, que na altura certa, me fizeram olhar de frente a verdade que não queria ver e que me doeu como lâminas no meu corpo. Agradeço-lhes as palavras duras e assertivas, que me tiraram toda a areia de dentro dos meus olhos. Agradeço à minha avó que me educou e estruturou para que amasse acima de tudo a verdade, por mais dolorosa que ela seja.]