30 outubro 2007

flexibilidade

[ariana luna] Óbidos, Setembro 2007

«No princípio dos tempos, os homens utilizavam armas de pedra, que se quebravam com facilidade; passados séculos, substituíram-nas por utensílios de ferro que, embora fossem menos quebradiços, apresentavam a desvantagem de se oxidarem rapidamente. E, então, um ferreiro teve a feliz ideia de inventar uma liga de metais a que chamou aço. Mas o aço, para chegar a sê-lo, tem que passar pelas provas dos elementos: primeiro pelo fogo, para se fundir, em seguida pela água e pelo ar para endurecer, e finalmente pela pedra para se forjar. E por fim converte-se numa espada de aço, a mais resistente das armas».
− E suponho – disse eu, irónica – que a moral dessa história é que uma pessoa só se faz forte depois de passar todo o tipo de provas.
− Forte, não. Fortes já eram a pedra e o ferro – afirmou ela categórica. – Flexível. Aí reside a diferença. Não podes sobreviver se não o fores.

Lucía Etxebarria

28 outubro 2007

1 ano

Um ano se passou.
De posts, amigos, mudanças (muitas), projectos, transformações, planos, sonhos, rupturas, sonhos "novinhos em folha", sobretudo uma viagem infinitamente compensadora ao interior de uma nova ariana.


Este blog nasceu num fim de tarde de um sábado escuro e frio. [Confesso que não admirava e pouco conhecia deste mundo virtual da blogosfera.] Não o iniciei com o intuito de comunicar com ninguém. Iniciei-o porque precisava de me olhar de fora, de expiar uma tristeza instalada, de espantar uma solidão que me abraçava suavemente sempre que o ritmo abrandava e o meu pensamento se desviava dos meus infindáveis projectos.
Comecei este blog porque nesse sábado escuro e frio não queria ser apenas um dos milhares de anónimos. Teria uma identidade. Uma identidade resgatada da infância. Ariana. Assinava assim todos os meus poemas desde os meus treze anos. Escolhi este nome inspirado na "Fada Oriana" de Sophia de Mello Breyner. Apenas lhe mudei a inicial.

Um ano se passou. Não espero felicitações, nem qualquer outra manifestação de apreço. Não escrevo para ninguém. Poderei até pensar em algumas pessoas quando escrevo, mas apenas o faço para mim.
Concordo que por vezes me surpreende este dialecto sub-reptício de comunicação online. Surpreende-me em algumas pessoas a força das palavras, a intimidade que transferem para algumas linhas de textos, a necessidade de reconhecimento que esperam. Noutras o pensamento oferecido sem pudor, a curiosidade constante em esmiuçar os comentários alheios, a obsessão ou até a ironia mesquinha das palavras. Espanta-me sobretudo que alguns suspendam a sua vida real em função das palavras (muitas vezes vãs) de outros, neste mundo de pensamentos atirados ao mar e apanhados em função da maré.

Um ano se passou. O primeiro. [Começou com um poema]
Este meu Exorcismo ao Silêncio continua…

25 outubro 2007

...

É a ânsia da perfeição que assassina os afectos, a sede do absoluto, o medo do costumeiro, a perene nostalgia dos impossíveis, a recusa constante de aceitarmos os outros como são. Quando uma pessoa não se entende a si mesma é impossível que entenda que outros a amem e é impossível, portanto, que respeite aqueles que gostam dela. Mas o tempo só nos dá duas opções: ou assumirmos o que somos, ou desistirmos; e se não desistirmos, se decidimos ficar neste planeta minúsculo e pactuar com a nossa ainda mais minúscula vida, podemos interpretar essa resignação como uma derrota, ou como um triunfo.

Lucía Etxebarria

Julho 2007

[Imagino uma longa escadaria como uma metáfora da vida. Podemos entendê-la como íngreme e tortuosa, ou apreciar a paisagem e sentir cada degrau como uma pequena vitória pessoal. Mesmo que às vezes recuemos alguns degraus, para voltar a subi-los com outra firmeza.]

23 outubro 2007

bandeira amarela

Ultimamente, sinto-me como um miúdo numa praia com bandeira amarela.
Dizem-lhe que o mar não é totalmente seguro mas, se não existem ondas furiosas por que raio não pode ir à água?

[Nos últimos tempos, tenho encontrado algumas bandeiras amarelas.
Ainda por cima nem gosto da cor…
]

22 outubro 2007

falso alarme

Ontem, num fim de tarde de Outono (disfarçado de Verão) o sol derramava sobre o rio um tom dourado, colorindo as águas de uma luz que feria o olhar.
Preparava-me para a minha corrida terapêutica, eis que não quando, o telemóvel toca e a Seguritas avisa que o alarme da empresa disparara. Tento avisar a M. (a sócia que vive mais perto) para todos os seus contactos e não consigo falar-lhe. O trânsito dos domingueiros que adoram ficar a tostar dentro do carro leva-me ao desespero. Entretanto a Securitas liga-me novamente e continua a pedir-me contra-senhas às quais respondo (não sei como!) correctamente. Contacta-me uma terceira vez a perguntar se já cheguei ao local, continuando presa numa fila interminável junto à marginal e peço para que avisem a polícia.
35 minutos depois do primeiro telefonema chego à empresa e nenhum sinal de intrusão. Entretanto a polícia chega e penso que, ou vou levar um valente raspanete ou pagar uma multa por solicitar as autoridades por falso alarme.
Qual não foi o meu espanto, quando do carro patrulha saem 2 agentes [que pareciam desencantados de um filme de Hollywood] com um largo sorriso e uma voz solícita e atenciosa. Meio atrapalhada, pedi desculpa por se tratar de um falso alarme, ao que me respondem que não havia qualquer problema, que já tinham passado a averiguar e que sempre que precisasse que os contactasse, que viriam de imediato.
Polícia de bigode farfalhudo com sotaque de interior e com ar de totó?

Isso era antigamente!...

[Para as interessadas, os ditos agentes estão ao serviço da comunidade, num posto a 500m da minha empresa!...]

17 outubro 2007

yoga

Tem dias que me apetecia ir de férias para destino indeterminado.
Outros, sonho juntar todos os amigos numa festa non-stop. Outras vezes, penso que ganhar o euromilhões (mesmo sem jogar) não calhava mal. Ultimamente encontrar a casa dos meus sonhos seria ouro sobre azul.


[Hoje uma aula de yoga numa praia (quase) deserta com o meu guru preferido bastava-me. Para começar...]

16 outubro 2007

saudade

Tinha saudade de sentir a areia por entre os dedos. A areia morna a acariciar-me a pele e o sol a beijar-me delicadamente com beijos pequeninos.
Saudade de escutar o mar de olhos fechados e sentir-te ao meu lado em silêncio.
Tinha saudades de ter tempo para mim. Para nós.
Saudades de um mimo. De um gesto arrebatador. Uma surpresa.
Qualquer coisa que me fizesse sentir que tudo faz sentido.


[Continuo com saudades...]

Lisboa

Este fim-de-semana tive Lisboa aos meus pés.

Miradouro da Graça - Lisboa, Outubro 2007

[Dito por uma "mulher do Norte" tem um sabor especial!...]

12 outubro 2007

a janela do coração

Se o teu coração tivesse uma janela, poderia espreitar lá para dentro.

Óbidos, Setembro 2007

[Pé ante pé, suavemente, para nunca suspeitares da falta que me fazes.

Para te conhecer por dentro.]

10 outubro 2007

amor

Primeiro a língua molha o meu
coração, num vagar de fera.
Estendo
aurículas e ventrículos sobre a mesa, entre
os copos, que desaparecem. Não há mais
ninguém no bar cheio de gente. Abres-me agora os
pulmões, um para cada lado, e sopras. Respiras-
-me. O laser das tuas palavras rasga-me o lobo
frontal do cérebro. A tua boca abre-se e fecha-se,
fecha-se e abre-se, avançando
por dentro da minha cabeça. As minhas cidades
ruem como rios, correndo para o fundo dos teus olhos.
[…]
Entramos um no outro,
abrindo e fechando as pernas
das palavras, estremecendo no suor dos
olhos abraçados, fazendo sexo
com a lava incandescente dessa revolução
imprevista a que damos o nome de amor.


Inês Pedrosa, in Revista Egoísta

09 outubro 2007

agora que chegou o Outono…

Chegou-me um dia pelo correio este quadro a óleo. Foi-me oferecido por um amigo meu, arquitecto e pintor, com uma obra plástica muito interessante, que nutre pela minha pessoa – sabe-se lá porquê – uma fixação platónica que nunca compreendi muito bem.
Junto ao quadro um bilhete que dizia: "É assim que eu te vejo. Uma andorinha".


[Tenho-o desde então no meu quarto [o quadro é claro!], para me lembrar que dentro de mim é Primavera sempre que eu quiser.]

08 outubro 2007

rir

Rir é [definitivamente] o melhor remédio.

06 outubro 2007

a verdade da mentira

A única coisa de que realmente tenho medo é da mentira. Tudo o resto, melhor ou pior, mais fácil ou mais dificilmente – com exclusão da morte – se resolve. Mas a mentira não deixa ninguém impune.
Corrói lentamente todos os que a tocam. Contamina todas as palavras, pensamentos, todos os olhares. Destrói laços e semeia a desconfiança. Envolve em neblina a vida que deve ser vivida com transparência.

Tenho desde muito miúda a maior das aversões pela mentira. É importante salientar que para mim a mentira é a ausência da verdade, seja ela uma omissão, deturpação, ocultação, "meia-verdade", "mentirinha piedosa", ou muito simplesmente o chamado "mal entendido" que se atribui a tudo o que se descobre como mentira. Não consigo, não gosto nem quero viver a minha vida sem a plena e total consciência do que penso, do que digo e do que sinto.
Nunca consegui sorrir para quem não simpatizo, entrar com um "copianço" dentro da sala de aula, contar uma mentirinha adolescente para tranquilizar os pais, justificar um atraso de um trabalho com uma qualquer patranha, parecer feliz quando estou triste e acima de tudo, mentir a alguém que amo.
Posso ser demasiado directa, dura com algumas pessoas, cruel com a minha franqueza, mas quem me conhece sabe com o que pode esperar de mim.
Explicaram-me há tempos que o nosso signo astrológico determina quem somos e o nosso ascendente a forma como nos mostramos aos outros. O meu signo e o meu ascendente são iguais e, embora não siga ou acredite piamente nos princípios astrológicos, não sou céptica e talvez daí a minha aversão pela mentira.

[Agradeço aos amigos, que na altura certa, me fizeram olhar de frente a verdade que não queria ver e que me doeu como lâminas no meu corpo. Agradeço-lhes as palavras duras e assertivas, que me tiraram toda a areia de dentro dos meus olhos. Agradeço à minha avó que me educou e estruturou para que amasse acima de tudo a verdade, por mais dolorosa que ela seja.]

01 outubro 2007

adopta-me!!!






[Apresento-vos os filhotes da minha Rita Maria. Fazem hoje 2 semanas e estão, como podem ver, lindos e gorduchos. Precisam de uma casa e de uma família para os acolher, mimar e aproveitar da preciosa amizade e companhia de um fiel amigo. Só precisam de algum tempo, espaço e amor para partilhar com estes cachorrinhos. Nas fotos individuais, as quatro primeiras são fêmeas e o último macho.
Se quiserem arriscar apaixonaram-se por um deles, basta enviarem-me um e-mail para combinar a entrega. Oferecerei com todo o carinho um amigo incondicional.
]