07 setembro 2007

amor

Rosa de Areia

Enquanto
um calor mole nos tira a roupa
e mesmo nus sobre a cama
os corpos continuam a pedir água
em vez de outro corpo,
penso no tempo em que o suor
e a saliva e o odor e o esperma
faziam dessa agonia
a alegria
a que chamávamos amor.


Eugénio de Andrade


[Existem poemas assim. Raros e sublimes. Feitos de respiração precipitada, de desejo, de alegria entranhada e sobretudo, de mãos dadas em silêncio.
Sempre, desde muito miúda, que bebo sofregamente as palavras cativas de silêncio de Eugénio de Andrade.
Eugénio amava o mesmo Porto, o mesmo rio, o mesmo mar.
Amava, tal como eu, a ideia de um amor infinito e intocável.
Li este poema muito recentemente. Ainda bem que só agora o li.
Faz, neste instante, todo o sentido. Amanhã fará ainda muito mais…
]

1 Comments:

At 18 de setembro de 2007 às 11:38, Blogger pp said...

Ui... ;)

...e depois de amanhã.E depois de depois de amanhã.E depois de depois de depois de amanha....e assim sucessivamente...

 

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