28 setembro 2007

bolas!...

Queremos tudo.
Desejamos ainda mais.
Almejamos o impossível.
Sonhamos com o utópico.


[Eu só quero que a cada dia me surpreendas e me faças abrir no rosto um sorriso de "miúda de 10 anos". É pedir muito?]

27 setembro 2007

Bem-vindo sobrinho!

O meu futuro "sobrinho(a)" já tem 6 cm. Já refila como a tia, mexe-se imenso e quase já fala. Estamos todos ansiosos para que venha para cá para fora para a nossa beirinha brincar.

[Bem-vindo sobrinho! Vamos todos estragar-te com mimos!]

25 setembro 2007

mudança

A César o que é de César.

[Em tempo de reflexão. De mudança. De projectos. Em tempo de viver.]

21 setembro 2007

felicidade

[Tenho pensado nisso. Atentamente. No que me faz e não me faz feliz.
No que me poderá fazer verdadeiramente feliz.]

20 setembro 2007

a fada

Sabem o que é ser-se criança?... é acreditar no amor, acreditar na beleza; é ser-se tão pequenino que os elfos conseguem sussurrar-lhes ao ouvido; é transformar abóboras em coches e ratos em cavalos e nada em tudo, porque cada criança tem uma fada dentro de si.

Francis Thompson

[Hoje apetecia-me novamente ser pequenina, protegida, de olhar reguila e de coração repleto de ilusões.
Ser crescida e com responsabilidades não é tão bom quanto eu pensava que era…


Hoje não me sinto em harmonia com o universo.
Vou correr junto ao rio. Douro. O meu rio. Pode ser que passe.
Não estou para grandes conversas. Fui.
]

19 setembro 2007

dá-me lume

Passou um cardume de lume que os engalfinhou...

Jorge Palma

[Não diria melhor...]

passo a passo

Passo a passo.
Um de cada vez.
Pequenos e firmes.

18 setembro 2007

sunset

quando o sol se põe sobre o mar abraçado pela arriba agreste e altiva
quando à minha frente, perdido sobre as ondas, encontro o teu olhar
quando um vento me açoita e me diz que são horas de um chá

olhamos este sol – e por segundos – nada mais importa

o mar

O que o mar leva, o mar devolve.

Na semana passada deu à costa este surfista.
Não resisti e levei-o para casa.

surpresa da Rita Maria

D. Rita Maria não seria notícia neste blog, se ontem não tivesse presenteado a família com um parto nocturno. O caso seria normalíssimo, não fosse o pormenor de desconhecermos a sua gestação.
Suspeitávamos que a safada tinha "dado trela" ao cão do vizinho, mas depois do susto inicial tiramos daí a ideia.


Correu tudo bem. Desta vez foram 4.

ADENDA: Afinal são 5 e 4 são meninas.

08 setembro 2007

dolce fare niente

Férias (mais que) merecidas

[Fui. Vou até lá mais abaixo à praia apanhar sol, receber mimos, enfim... ser feliz.]

07 setembro 2007

amor

Rosa de Areia

Enquanto
um calor mole nos tira a roupa
e mesmo nus sobre a cama
os corpos continuam a pedir água
em vez de outro corpo,
penso no tempo em que o suor
e a saliva e o odor e o esperma
faziam dessa agonia
a alegria
a que chamávamos amor.


Eugénio de Andrade


[Existem poemas assim. Raros e sublimes. Feitos de respiração precipitada, de desejo, de alegria entranhada e sobretudo, de mãos dadas em silêncio.
Sempre, desde muito miúda, que bebo sofregamente as palavras cativas de silêncio de Eugénio de Andrade.
Eugénio amava o mesmo Porto, o mesmo rio, o mesmo mar.
Amava, tal como eu, a ideia de um amor infinito e intocável.
Li este poema muito recentemente. Ainda bem que só agora o li.
Faz, neste instante, todo o sentido. Amanhã fará ainda muito mais…
]

03 setembro 2007

Amor é prosa; Sexo é poesia

Amor é propriedade. Sexo é posse. Amor é a lei; sexo é invasão.
O amor é uma construção do desejo. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre com tesão. Amor e sexo, são como a palavra farmakon em grego: remédio ou veneno - depende da quantidade ingerida.
O sexo vem antes. O amor vem depois. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha.
O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas.


O amor é o desejo de atingir a plenitude. Sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. O sexo pode ser, dependendo da posição adotada. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário não acontece. Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.
Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do "outro". O sexo, mesmo solitário, precisa de uma "mãozinha". Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até na maior solidão e na saudade. Sexo, não -
é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora. O amor vem de nós. O sexo vem dos outros. O amor inventou a alma, a moral. O sexo inventou a moral também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.
Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas. O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica.

Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem - o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo.
O problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. Amor busca uma certa "grandeza". O sexo é mais embaixo. O perigo do sexo é que você pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade.
O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é a lei. Sexo é a transgressão.
Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da surpresa. O grande amor só se sente na perda. O grande sexo sente-se na tomada de poder.
Sexo e amor tentam mesmo é nos fazer esquecer a morte. Ou não; sei lá...

Arnaldo Jabor, cronista brasileiro
[excertos da crónica "Amor é prosa; Sexo é poesia"]