29 junho 2007

Obrigada sócias!

Estou exausta. Mesmo.
Não durmo o pouco que costumo dormir há semanas. Por uma boa causa [eu sei] mas não durmo e por isso ando nervosa, ansiosa e afins.

O nosso projecto está quase pronto para ser mostrado às pessoas que mais gostamos.
Eu e as minhas sócias estamos a rebentar de orgulho, para além de estarmos também a rebentar pelas costuras. As costas que doem, as pernas que pedem clemência, os olhos que ardem, as mãos de gritam [as unham nem falo!], o estômago que tem sobrevivido a iogurtes, cafés e maçãs, a paciência que se esgotou há séculos...

Estamos desfeitas, mas amanhã vamos colocar o nosso melhor sorriso para receber triunfantes todos aqueles que aceitaram partilhar connosco este "nosso filho" saído do nosso trabalho, do nosso corpo e sobretudo da nossa mente.

Obrigada sócias. Adoro-vos.
Estou muito feliz por tudo o que conseguimos.
Mas ainda mais feliz por ter sido convosco.

[Amanhã vamos comemorar em grande!]

27 junho 2007

Adeus

Chegou o momento. De me despedir de nós. Do que fomos, do que pensei que fossemos ou do que pudéssemos ser. O momento que te deixar partir para viver em paz. Não te arrancarei de dentro de mim, pois dar-te-ia amarras que não posso continuar a preservar no meu pensamento.
Ficarás registado no livro da minha vida, assim como as memórias intocáveis de um amor que descobrimos e partilhamos.

Chegou a hora de libertares o meu coração. Cada um seguirá por outro meandro do rio e encontraremos novas mãos para dar no silêncio e no desejo dos dias.
Senti-te "o amor da minha vida” mas esse estatuto só terá quem me fizer sentir iluminada.

Quando penso em ti já não sinto borboletas na barriga na ansiedade de um encontro, a voz que custa em sair, as pernas trémulas ou o coração a querer sair pela boca. Só uma tristeza por todos os porquês sem resposta.
Como no apaixonante poema de Eugénio "dentro de ti não há nada que me peça água". Já não é em ti que penso antes de adormecer. Já não é do teu lado que quero acordar.

Que a vida te conceda a paz e o sucesso que ambicionas.
Adeus.

23 junho 2007

contigo

Às vezes no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado
Juntando o antes, o agora e o depois

Porque você me deixa tão solto?
Porque você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus segredos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém

Porque você me esquece e some ?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela de repente me ganha?

Quando a gente gosta
Claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca prá fora

Ou você me engana
Ou não esta madura
Onde está você agora?


Caetano Veloso

[Estou a reaprender a ver o mundo com outros olhos. De olhos abertos.]

22 junho 2007

só se for agora

"Existe apenas uma idade para sermos felizes, apenas uma época da vida de cada pessoa em que é possível sonhar, fazer planos e ter energia suficiente para os realizar apesar de todas as dificuldades e todos os obstáculos. Uma só idade para nos encantarmos com a vida para vivermos apaixonadamente e aproveitarmos tudo com toda a intensidade, sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que podemos criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança, vestirmo-nos de todas as cores, experimentar todos os sabores e entregarmo-nos a todos os amores sem preconceitos nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que toda a disposição de tentar algo de novo e de novo quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na nossa vida chama-se presente e tem a duração do instante que passa..."

Mário Quintana

[O que eu tenho aprendido na blogosfera...
Este foi indubitavelmente o pensamento da semana.
]

S. João

Já cheira a S. João. Nas ruas os manjericos perfumam o ar, os palcos estão a ser montados para os artistas de variedades fazerem os seus playbacks manhosos, as luzes nas pracetas anunciam a algazarra dos bailes e os enfeites de cores garridas apregoam folia toda a noite.

[
Tenho saudades de gostar do S. João. Saudades de não me irritar com os martelinhos profundamente irritantes.
Só as sardinhas assadas escapam. Duas
[só duas] muito bem assadas. Para fingir que a tradição ainda é o que era…
]

21 junho 2007

The Final Countdown

Ontem, depois de arrumar caixas, caixinhas e caixotes; montar 3 estantes, fazer 17 telefonemas, enviar 29 e-mails, confirmar encomendas, fazer reclamações e apagar 9 incêndios para remediar a incompetência alheia, fiquei a sorrir ao vislumbrar o doce sabor do dever cumprido. Tal como a senhora que vende frutos secos na Nazaré: aterrei.

Está quase. A contagem decrescente já começou…

[Hoje o despertar foi bem mais sereno. No balanço envolvente de Jobim…]

20 junho 2007

transparência

Transparência [Primeiras experiências fotográficas], ESAD, 1995

Quero voar. Para tão longe que nem eu própria me encontre.

[Tudo porque hoje um sonho mau me lacerou as feridas que julgava cicatrizadas.]

18 junho 2007

home

Setúbal, Agosto de 2005

Depois de muito tempo a tempestade deu lugar à acalmia. O nevoeiro cerrado começa agora a deixar-me ver mais nítido. A chuva intensa deixa entrever um céu com menos nuvens. O vento traiçoeiro que outrora tanto me fustigou, sopra agora noutras paragens.

Será difícil [eu sei] deixar que alguém se atreva a abrir a porta.

Cá dentro a casa começa a ser caiada. Falta ainda escolher todas as cores para que se torne num lugar único, tranquilo, aconchegante. Feita de pequenos gestos, de olhares cúmplices, de sorrisos corajosos, de mãos dadas em segredo, de palavras inadiáveis, de partilha de tudo e de coisa nenhuma, de dores e de alegrias supremas.

Uma casa de gente e de memórias intocáveis. Daquelas que apetece guardar, protegidas de todas as intempéries.

14 junho 2007

apesar de...

Apesar do cansaço expresso nos olhos que teimavam em fechar, da tempestade que assolou a minha cidade, do trânsito infernal e da impaciência dos condutores.

Apesar do verão que anda a brincar ao esconde-esconde, dos dias demasiados longos para queimar os últimos cartuxos de um projecto muito amado e do pó que a minha roupa acumulou durante o dia extenuante de ontem.

Apesar dos inúmeros sobressaltos dos últimos meses, das noites em vigília, do pensamento em reboliço e dos sonhos moldados de fragilidades feitos em pó.

Apesar da minha vida em constante e total mutação, sei que tudo valerá a pena e que um dia irei desfolhar o MEU livro com um carinho indisfarçado.

[Valeu o chá de ontem embalado naquela musiquinha prometida.]

12 junho 2007

coração-ervilha

O meu coração, pela força de tanto o contrair, em breve será tão pequenino quanto uma ervilha.
Não uma daquelas ervilhas congeladas inodoras ou enlatadas de sabor duvidoso. Uma ervilha fresca, roliça, estonteantemente firme e difícil de apanhar com o garfo.

Será um coração-ervilha tão delicadamente pequeno que pela falta de espaço que o caracteriza expulsará todos aqueles que o contamine e que não sejam verdadeiros, genuínos, convictos e de coração limpo.

[É por assim dizer, um coração-ervilha pequenino, sem medos e de lotação limitada, onde não existem lugares reservados - embora alguns tenham lugar cativo - e onde só se entra por convite.]

08 junho 2007

o perfume

Encantei-me pelo último perfume que comprei. Tem cheiro a verão, ilha deserta e frutos tropicais.

É um universo fascinante, este das memórias que os aromas conseguem projectar no nosso inconsciente. Fazem-nos recordar momentos, lugares e pessoas especiais que cruzaram a nossa vida.
O olfacto é indubitavelmente o mais visceral dos sentidos.

É o primeiro elo de ligação entre o recém-nascido e a sua mãe e um factor primordial de desejo entre dois amantes.

[Ando de tal modo seduzida com este novo aroma que de quando em vez surpreendo-me a mim mesma a sentir o envolvente perfume no meu próprio pulso.

Isto porque cheirar a curva do pescoço, o decote ou os tornozelos não dá assim tanto jeito!
]

06 junho 2007

o meu Porto

É na marginal da cidade mais acolhedora, disfuncional, sedutora – e a bem dizer, apaixonante - que corro todos os dias. Que cumprimento discretamente os pescadores, que afugento as gaivotas, que percorro de carro de manhãzinha bem cedo e ao pôr-do-sol, que vou comemorar as vitórias e exorcizar as tristezas.

É nesta marginal que flutuo na minha yoga, que dou grandes caminhadas quando me sinto mais cansada, que fotografo o riso das crianças a aprender a andar de bicicleta, o andar trôpego dos velhos, o insulto dos pescadores do peixe que escapou do isco, as mãos dadas em segredo dos amantes.

É nesta marginal - que me observa deste criança - que me liberto.

sweetheart

[De que cor vou colorir o meu coração?]

05 junho 2007

Purple Rain

[I only want to see you in the purple rain...]

Vou por aí

Vou por aí. Posso até enfrentar tempestades de areia, animais selvagens, noites gélidas, ventos furiosos, a solidão profunda.
Não vou olhar para trás. Vou por aí.
Poderá parecer-me um caminho interminável. Repleto de meandros falaciosos.
Vou por aí.

[Quem me quiser acompanhar que me olhe nos olhos.

Talvez um dia consiga escutar a voz do meu silêncio.]

04 junho 2007

honey

Falou-se muito de mel este fim-de-semana. Das suas propriedades "regeneradoras", de torradas com manteiga e mel, de chá com mel e limão, enfim… de gulodices. Uns ficaram-se a lambuzar. Outros [como eu] torceram o nariz. Fiquei a pensar no assunto e fui investigar.
São-lhe reconhecidas diversas propriedades terapêuticas, entre as quais, o facto de ser anti-séptico, cicatrizante e fortalecedor do sistema imunitário, favorecendo a digestão e proporcionando imediata biodisponibilidade energética.

[Quanto a mim, nem doente me convencem. O único a que acho uma certa piada é ao Mel Gibson.
Zéquita, quase que me enganavas! Mas não vá o diabo tecê-las. O príncipe encantado há-de comer duas colheres do dito néctar todos os dias!
]

01 junho 2007

Conselho

Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade

[Cheguei agora da Feira do Livro. Comprei o livro "As Mãos e os Frutos" de Eugénio de Andrade. Andava à procura deste livro fazia imenso tempo. Fiquei feliz e estou embevecida a ler-lhe as palavras.
Eugénio amava o mar, os gatos e o Porto. Amava a vida, o amor e as palavras.

Morreu no mesmo dia que o Álvaro Cunhal. Fiquei sentida. Pouco se falou da sua morte. Um dos maiores e apaixonantes poetas portugueses tinha partido.]