31 maio 2007

aqui é que era!...

[Vou fechar os olhos e imaginar que estou aqui.
Convosco. Todos a rir e a tomar cocktail's de fruta coloridos.
A chapinhar na água e a dizer baboseiras.

Porque a minha vida é sempre tão séria...]

30 maio 2007

a vida é um milagre

Há duas formas de viver a vida: uma é acreditar que não existem milagres.
A outra é acreditar que todas as coisas são um milagre!

Albert Einstein


[O milagre de hoje dispõe exactamente de 4 horas e 45 minutos para me surpreender. A ver vamos...]

a bem dizer...

[Estou cansada. Tenho sono. 87 e-mail's para responder, 13 fax's para enviar, 29 telefonemas em lista de espera. Engenheiros, electricistas, vidraceiros, canalizadores, aplicadores de papel, costureira, marceneiro, estofador, arquitecta, serralheiros, bombeiros, picheleiros, ... Help!!!!

Alguém me trás um cappucino com sessão de massagem incluída?]

29 maio 2007

paz e liberdade

[É só disto que eu preciso. Paz e Liberdade. Tal como os cravos brancos que cresceram no canteiro do meu jardim, uma vez mais plantados pelas mãos sábias do meu pai.]

28 maio 2007

a praia

Portinho da Arrábida, 2005

[A minha praia. Aqui já fui feliz. Muito.]

assim sendo...

"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."

Miguel Sousa Tavares

26 maio 2007

medo do escuro

quando tudo adquiria outros volumes
nas sombras exaustas de visões primitivas
quando as palavras fluíam tímidas
sem caminho nem ourela,
tacteando os silêncios
a respiração precipitada
o cheiro a instinto e perfeição...

abraça-me e nada me digas

que é feito da utopia que espanta
os espectros que se deitam comigo
e me sugam o tutano da alma?
amor, que é feito de nós?

abraça-me e nada me digas

porque a lua dorme
agora na calçada de lodo
para filtrar os olhos humedecidos
das crianças de sonhos cinzentos
de mãos sem alegrias entranhadas


ariana luna

25 maio 2007

para ti, minha avó

[Hoje estaríamos a comemorar o teu aniversário. Entre risos, café, torradas e bolos feitos pelos primos. Estaríamos a jogar a feijões e a escutar-te as histórias da tua juventude. Olharia os teus olhos brilhantes de amor, tristeza e sapiência e sentiria-me amada. Muito amada.

Dentro de mim continuamos a plantar flores, minha avó. A colher frutos maduros, a respeitar a terra, a compreender o olhar dos bichos. Dentro de mim nunca partiste.

Serás sempre o meu eterno amor.]

24 maio 2007

um amor verdadeiro

[...]
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.

Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

[É assim que te quero.]

23 maio 2007

em todas as ruas te encontro

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

22 maio 2007

não posso adiar o amor

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

António Ramos Rosa

21 maio 2007

pensamento

se o meu pensamento chamar por ti
não lhe respondas.
às vezes sem nada em que pensar
comete suicídios involuntários

à noite
quando os olhos
não se querem fechar por teimosia
espio-lhe os resquícios de uma paixão
gasta pela insónia e pela ausência
e ele sossega
e adormece no meu ventre

p'la manhã
esquece todos os avisos que o imunizam da sombra
e volta todo ele a ser frémito e precipício

quando aprenderá que as cicatrizes
não são sinais de instantes imperfeitos
mas violações digeridas numa pele salina e crua

ariana luna

18 maio 2007

para mim era um gelado p.f.

Adoro gelados.
Poderia referir como são nutritivos, refrescantes, coloridos, leves, cremosos, a saber a verão, a férias e a mar, mas só consigo dizer que simplesmente os adoro. Não aprecio sobremaneira doces ou sobremesas elaboradas mas gelados

And the Oscar goes to...

[Ontem eu e a M. terminamos com o stock do dito sorbet de manga depois de umas beringelas com requeijão e pesto no forno. Um apetite…]

17 maio 2007

O silêncio das palavras

Eu sei, cada homem possui um deserto dentro de si. Nele caminha deixando minúsculos sinais da sua breve passagem, mas o sangue é facilmente bebido pelas areias e nenhum oásis de felicidade irrompe. Perdi a noção do mundo que me cerca e retém aqui. Tudo abandono a pouco e pouco. O deserto é cada vez mais deserto. Já não vislumbro sequer a minha sombra, nem ouço ruído algum. Nem rastos de outros homens ou animais. Apenas branco, e um zumbido de estrelas repercutindo-se no interior da solidão.

Não, não se pode viver sem amar. Por isso atravessei oceanos, arquipélagos, mares nocturnos, dei a volta ao mundo à procura do meu corpo. Resta-me agora a escrita, o eterno recomeçar sempre o mesmo livro, como se fosse uma condenação, um destino superior a que me sinto incapaz de fugir. Escrever para além do tempo possível, para além da memória que há-de existir no meu corpo. O fulgurante silêncio das palavras.

Al Berto [1948-1997]


[No dia em que Al Berto morreu – num dia quente de 13 de Junho – o mundo ficou irremediavelmente mais pobre e mais cinzento. Bebi-lhe as palavras em tragos largos durante toda a minha adolescência, pedindo sempre mais.
Senti que tinha perdido um irmão e chorei o seu silêncio, a sua morte e a sua irremediável ausência. Mesmo sem nunca o ter conhecido.]

16 maio 2007

profecia

esta madrugada perfilhei as pisadas que me deixaste na memória
persegui-lhes o trilho que me escavaste no ventre
para amansar as palavras na certeza de um puro despertar


ariana luna

pedras no sapato

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa

[Já não existem homens que escrevem "cartas de amor ridículas"...]

15 maio 2007

grow up

"Amar é reconhecer nos outros um ser misterioso, e não um objecto - tu eras uma vibração à tua volta, não a estreita presença de um corpo. Aqueles que não amamos nem odiamos são nítidos como uma pedra. Sentir neles uma pessoa é começar a amar ou a odiá-los. Só amamos ou odiamos quem é vivo para nós."


Vergílio Ferreira, in Estrela Polar

cerimónia do chá

A cerimónia do chá (cha no yu) – apesar da auréola de mistério que a envolve – apresenta como filosofia que todo o encontro deve ser celebrado pois é irrepetível, tendo como intuito a partilha de um momento de tranquilidade, num ambiente despojado para amenizar as preocupações.

[Quente ou frio, simples ou açucarado, mas sempre em boa companhia.]

14 maio 2007

esta noite

queria ter-te hoje nos meus braços
quando o silêncio descesse sobre a rua
e tu fosses luz e mãos de tantas noites claras

esta noite queria que o tempo não soubesse deslizar
que os olhos se fechassem para ouvir a ode aos corpos unos
e adormecessem levando a imagem de um mundo acabado de nascer

esta noite vamos passá-la a contar estrelas
esperar até que o sol acorde para nos entregar de novo à noite e
celebrar secretamente todos os passos que demos um pelo outro


ariana luna


[Em silêncio. Como sempre ficamos. Em silêncio.]

13 maio 2007

pérolas a porcos

Ontem alguém me dizia: "Estás a dar pérolas a porcos", que é como quem diz, "Nozes a quem não tem dentes", ou melhor ainda, "Não tem unhas para tocar guitarra".
Pensando bem, é capaz de ter a sua razão. Terá?...

[A experiência passada enquanto docente incutiu-me a capacidade de acreditar no potencial humano e na sua infinita evolução.
A presente e vasta experiência enquanto designer leva-me a perseguir a beleza, mesmo onde ela não existe.
A ainda breve experiência enquanto empresária mostra-me que o mundo não se compadece com a mediocridade, seja ela do foro profissional, emocional ou social.

Porque hoje é domingo e a semana que passou foi difícil, vou rir com os amigos verdadeiros, porque "o que não tem remédio, remediado está".
E embora o céu esteja nublado e de quando em vez um aguaceiro pareça perturbar o meu céu azul, amanhã o sol irá certamente brilhar.
]

11 maio 2007

...

ARIANA VOLTOU. STOP. 1 BEIJO PARA QUEM LHE SENTIU A FALTA. STOP. ARIANA A FERVILHAR DE PROJECTOS EM MENTE. STOP. MUITOS. STOP. ARIANA COM OLHOS COR DE MAR ESTÁ FELIZ. STOP. COM A VIDA. NON STOP.


[Confesso que gostava de conhecer. Mas apetece-me ir descobrindo. Devagarinho…]

04 maio 2007

em silêncio

Ontem anoiteci assim.

Fui correr junto ao rio e apeteceu-me [incompreensivelmente] que estivesses ao meu lado.
Talvez a caminhar. Em silêncio.
A sentir o céu a transformar-se em cores que se misturam dentro de mim.
Assim mesmo. Em silêncio.

[Como sempre ficamos. Em silêncio.]

03 maio 2007

silêncio em bruto

manhã
início de uma nova película de sombra
que enturva o olhar límpido das crianças
com o delgado invólucro azuláceo e
desfoca as paixões de fronteiras arrancadas
à luz de um candelabro

tarde
o sono que se esbate da noite mal dormida
da insónia que devora o cansaço.
o riso é um pássaro fatigado,
as mãos dois peixes que desconhecem
as águas de todos os ventres

noite
só pelo sonho sou livre quanto invado
os sentidos com porquês sem verdade,
quando nua e sem medos do amanhã com espinhos
voo imune do fel que alimenta os espectros
só pelo sonho sou livre
só na noite me dispo da demente lucidez que suga
preguiçosamente o mel que exala dos poemas extintos


ariana luna

nem mais...

Para que percorres inutilmente o céu inteiro à procura da tua estrela?
Põe-na lá.

Vergílio Ferreira

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

"O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa constitui a ocasião para relembrar ao mundo quão importante é proteger o direito fundamental da pessoa humana que é a liberdade de expressão, direito este inscrito no artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos."

ver aqui e acolá


[Porque a palavra, a informação e sobretudo a verdade não devem ser omitidas.]

02 maio 2007

metade

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja para sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade

Que as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo

Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão

Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflicta meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço

Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade para fazê-la florescer
pois metade de mim é plateia
a outra metade é canção

Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também

Oswaldo Montenegro
[Para ver
melhor com o coração.]



[Porque não quero menos que tudo.
Sem porquês, talvez ou entre-aspas.]

de olhos abertos

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

José Carlos Ary dos Santos

[Porque viver todos os dias custa.]