28 fevereiro 2007

para reflectir

Trabalha como se vivesses para sempre.
Ama como se fosses morrer hoje.
Séneca

[como ultimamente só tenho pensado em trabalho, está na altura de pensar em algo mais importante...]

24 fevereiro 2007

mãos de avó-menina

Preciso das tuas mãos, minha avó.

Dos teus conselhos, do teu olhar, da tua confiança incondicional.
Preciso de ti, embora te sinta sempre presente.
gfgfg
[Foto onde ficaram registadas 3 gerações da minha família.]

23 fevereiro 2007

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...

Olho a roupa no chão: que tempestade!

há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...

Começas a vestir-te, lentamente,

e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós

a despimos assim que estamos sós!

David Mourão-Ferreira

22 fevereiro 2007

porque sim

Ultimamente sinto-me assim.
A precisar de colo.

[Fotografia de Jean Carlson]

16 fevereiro 2007

sorriso

Creio que foi o sorriso,
sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita Luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.


Eugénio de Andrade

14 fevereiro 2007

Dia dos Namorados


05 fevereiro 2007

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade (1923 - 2005)
"Os Amantes sem Dinheiro", 1950