29 janeiro 2007

cá dentro

O conhecimento do próximo tem isto de especial: passa necessariamente pelo conhecimento de si mesmo.
Italo Calvino

22 janeiro 2007

meu grande amor

A minha avó era tudo o que uma criança poderia querer.
Era a força, a delicadeza, a sabedoria, era braços quentes e histórias medonhas de bruxas e fadas voadoras. Adormecia ainda a história ia a meio, e acordava com o biberão debaixo da almofada e com o melro a cantar na figueira que ficava junto à janela ao lado da cama.

18 janeiro 2007

perfeição

O meu corpo dormente a tantos desencontros.
O olhar sem expressão reflectido no espelho do outro lado de mim.
O silêncio a lavar-se numa casa abandonada.
Os braços a ampliarem esta espera infinita.
Amanhã choverá na minha alma. Começará por uma chuva provocadoramente miudinha, até ser revolta, anarquia, tempestade; a queda do meu eu segmentário.


Este ano será somente o que eu quiser fazer dele.
Prenunciará novas sementes; hesitantes, mas genuínas.
Não espero a perfeição...

Trago pela mão o fogo primordial das madrugadas, com o brilho das nascentes guardado no cheiro cru de pele salina.
Esgueirei-me com o mar dentro dos olhos mas não espero a perfeição...

17 janeiro 2007

nós

A noite inteira toda dentro de mim.
Um brilhozinho a fulgurar nas pontas dos nossos dedos.
Um sax a tocar na casa em frente. A respiração cativa do desejo.
A noite a misturar-se comigo. Connosco.

O teu corpo com tantas linguagens.

E eu transfigurada para te asilar em mim...

16 janeiro 2007

essência

observando à lupa o mundo à minha volta
vejo como tudo é tão simples e infinitamente complexo
como as cores se desdobram em formas e sabores
em tactos escondidos, em movimentos amplos
em secretos nascimentos, em mortes bizarras

e a luz, oculta, misteriosa e sorrateira
se desvela no meu corpo e me toca com seus mil dedos
e assim, as cores nos preenchem, nos modelam,
nos contraem, sufocam por vezes,
nos quebram, abraçam e nos largam no escuro

a luz, a cor, o movimento
dois pontos que medeiam toda a infinitude
a vida a correr-nos pelos olhos a duzentos à hora
a noite perdida a dormir, o sono ganho a sonhar
um asterisco e um ponto de interrogação
a saltarem de pára-quedas no meu inconsciente

sentir é o melhor de sermos e o pior de estarmos
viver é o que de mais óbvio e mais extraordinário existe
correr à noite por um corpo adentro
e adormecer sem medo de acordar

ariana luna

13 janeiro 2007

eu

Sou peça de um xadrez oblíquo.
Não me despertam os actos do pensar politicamente correcto.
Sou eu. Ponto final. Parágrafo.

Quero lá saber das reticências.

ariana luna

12 janeiro 2007

querer

acercou-se de mim uma paz morna
o coração em banho-maria de palavras genuínas
ternura a conta-gotas destilando as minhas noites
uma visão mais clara do vocábulo querer
um sentido mais firme do que será amar

tenho medo de entrar às escuras no labirinto
de me perder e não mais descerrar os olhos
de te ferir com os espinhos crescidos no meu corpo
de te não conseguir dizer o que por ti sinto
com prejuízo de banalizar o que é inviolável

a vida trama-nos cada partida
faz-nos tropeçar para depois nos elevar
brinca connosco ao esconde-esconde
faz-nos acreditar na saudade e no sorriso
na verdade, no verde do teu olhar, na vida...


ariana luna

10 janeiro 2007

quando for grande...

Para apreciar com um sorriso nos lábios.
[cliquem na imagem para ampliar]

05 janeiro 2007

Rita Maria

A Rita Maria anda histérica. Acorda às 6h da manhã e não deixa ninguém dormir até lhe fazerem festas. Está connosco desde os 2 meses. Entusiasta, dócil, impertinente e cheia de personalidade.
Ritinha, quando é obediente. Rita Maria, para impor respeito.