27 novembro 2006

amor perfeito

tenho um amor perfeito
não daqueles que emergem da terra fecunda
acariciada pelo abraço morno do sol
que a primavera pintalga de cores imaginárias

um amor com gente dentro
feita de pele, de carne, de sonhos
um amor perfeito que não se vende aos molhos
[como os outros, que salpicam as praças da minha cidade]

simplesmente se oferece
numa entrega genuína
num abrir dos olhos extasiados
pela dádiva do pensamento a descoberto
pelo corpo permeável ao prazer adivinhado

um amor renovado a cada dia
onde dois um são sem o saberem
um amor perfeito que tudo devora
que tudo sustenta e no entanto,
mais delicado que o outro feito flor


ariana

24 novembro 2006

Apetece-me

Apetece-me passear junto ao rio e arrancar este nó do meu peito.
Caminhar na praia e sentir a areia molhada a fazer cosquinhas nos pés.

Comer um gelado de amora e iogurte.

Está a chover torrencialmente. E depois?

Bolas, terei de ter sempre uma razão para tudo?!

23 novembro 2006

sonho mau

Lá fora chove tempestuosamente. Exactamente como chove hoje dentro de mim.
Amanheci assim, com o coração apertado e pequenino como uma ervilha.

Tudo culpa de um sonho mau…

22 novembro 2006

Olhar mais longe

Se eu vi mais longe, foi por estar de pé sobre ombros de gigantes.
Isaac Newton

16 novembro 2006

desafio da Xuxu

A Xuxu lançou um desafio que, passo a citar:
"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento".

Seguem as minhas "particularidades"
O Livro de Reclamações, p.f.!
Não existe ninguém que tenha pedido tantas vezes o livro de reclamações, acreditem!
Sou exigente e pronto, tenho dito! (principalmente com os organismos públicos e com a sua famosa filosofia do "deixa andar")

Anel Mágico
Quando estudava tinha um anel (que a minha avó me tinha oferecido, muito antigo) que, para me auto-motivar, acreditava que era mágico. Antes dos exames, rodava-o 2 vezes e (voilá!) tinha sempre boas notas! Palermices! (o que me valia era a minha memória de elefante!)
[Um dia empreitei-o a uma colega, mas como não tinha estudado, valeu-lhe de muito...]

Iogurtes
Passo a vida a comer iogurtes.
Iogurte de manhã, iogurte à tarde, iogurte ao fim da tarde, iogurte antes de jantar, sobremesa de iogurte... e assim sucessivamente... Ah, às vezes mudo de sabor!...

Olhar Fatal
Juro que tento ficar normal nas fotos, mas só gosto de tirar fotografias e não ser fotografada.
Por isso, quando me ponho a jeito, fico sempre com olhar fatal, ou seja, em vez de ficar séria e de olhar gélido e impenetrável (q era o objectivo, logo eu!!!) fico... bem, é melhor nem falar!...

Água Gelada
Quando era miúda e ía para praia e o mar estava gélido (coisa rara no norte!) e ninguém (mas mesmo ninguém!) se atrevia a entrar na água, lá estava eu! Roxa e praticamente a entrar em hipotermia, os olhos quase a saltar e os dedos encorrilhados. Mas dizia sempre: "A água está óptima!".
[Nota: Ainda hoje tomo banho de água fria.]


As minhas 5 vítimas são:
anna^; dani ; anonimo ; indigente andrajoso; vanessa babe

poesia ao pequeno-almoço

Continuo com Pessoa. Apetece-me. Porque hoje o dia está triste. Porque eu também não estou num dia sim.
Pode ser que entretanto se componha [eu e o tempo]...
Para sonharem com o sol a acariciar a pele, com os dias compridos, com gelados a derreter ao sol, com a vida que temos, levamos e queremos...

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca. [...]


Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os meus olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro

15 novembro 2006

poema partilhado

Ontem à noite apeteceu-me muito reler Pessoa. Procurei o livro [com as páginas a descolar, repleto de anotações e marcações, fruto de tanta leitura] que partilhou muitas das minhas noites. E que bem me soube!...

Poderia ter escolhido muitos outros, mas porque a linguagem cibernética não se compadece com extensas leituras, aqui vos deixo este poema [pequeno na forma, mas grande no conteúdo] para alegrar o vosso dia.

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro

14 novembro 2006

para reflectir

No sentido de reflectir e consciencializar para os dramáticos atentados aos direitos humanos (pedofilia, tráfico humano, exploração sexual, violência doméstica, discriminação das minorias), a Quanto Project promoveu um concurso internacional de design. Para espreitarem os 36 trabalhos seleccionados, observem e reflictam.

13 novembro 2006

um brinde à amizade

Para todos os meus amigos (os genuínos, aqueles que celebram os meus sucessos, que me dizem as verdades sem apelo nem agravo, que me escutam, que não me invejam, que estão presentes no meu aniversário, que choram comigo, que me confiam segredos e pensamentos, aqueles que só com o olhar me dizem "Estou aqui", a esses) um brinde!

10 novembro 2006

bolachinhas

O fenómeno da indústria das bolachas é curioso. Nenhum outro alimento é tão popular e transversal a todas as idades, como as famosas bolachinhas.
Existem bolachas de todos os sabores, formas, ingredientes, com especificidades várias, para agradar a todos e acompanhar um filme aconchegado no sofá.

Nunca achei grande piada a bolachas. Mas fico impressionada com a voracidade com que as pessoas fazem desaparecer um pacote inteiro!

Para todos os que adoram bolachas (tais como o meu pai, a minha sócia e a minha prima Mariana) um doce fim de semana.

09 novembro 2006

Outono

Será impressão minha ou ficamos aprisionados no Verão?
Por onde param as folhas multicolores que a esta altura já deveriam inundar as ruas? [Imaginam o tédio dos funcionários da Câmara Municipal que varrem as ruas da cidade, sem nada para fazer?]


Quero folhas no jardim a formar um tapete fofo para eu saltar!!!
Quero fotografar e embebedar-me com tanta cor!

[Juro que gosto de sol, mas apetece-me tanto!...]

prioridades

07 novembro 2006

dentro de nós

O essencial é invisível ao olhar.

maretas

No domingo, quando acordei estive a ver desenhos animados.
[Como eu adorava passar os sábados de manhã a ver desenhos animados!...]

Tentei todos os canais, mas não me retive em nenhum.
Quem se lembra dos maretas com todas aquelas ironias britânicas (as quais não compreendia metade!) com os amores incompreendidos da espécie animal? Um clássico!...

Quem dera que a RTP Memória não passasse só futebol dos anos 80!...

06 novembro 2006

volta verão, estás perdoado!

[No verão, antes de ir correr, saí de casa e o céu parecia pintado a aguarela. Há dias assim...]

04 novembro 2006

papoila

Está a chover hoje. [mesmo bom para ficar em casa enroscadinho!]

No último Inverno (talvez em Janeiro, não sei bem precisar) esteve uma semana tempestuosa. A chuva caía desordenada e o vento uivava durante as noites frias e assustadoras. Árvores foram arrancadas, jardins destruídos, acidentes sem conta e pessoas de mau humor aos molhos.

Na semana seguinte, no meio de toda a destruição acumulada, uma visão comovente: um campo de papoilas (mesmo junto à minha casa) intacto. [a da foto parecia sorrir para mim!]
É incrível, não é? Como é que a flor mais frágil, que se despedaça quando arrancada, aguenta tempestades, ventos furiosos e permanece altiva, vermelho sangue, a agradecer ao sol toda a beleza daquele instante?

Sigamos-lhe o exemplo.
Sejamos também nós, fortes, seguras e altivas e no entanto, não tenhamos medo de ser delicadas e respirar sensibilidade.

03 novembro 2006

instinto maternal

Na última primavera fotografei [sub-repticiamente, claro!] a melroa (fêmea do melro, para quem não sabe) aninhada a proteger a cria, no ninho construído na cerejeira plantada pelo meu pai.
[LEGENDA: A fotografia ilustra o zelo de uma mãe que nada mais fazia do que encontrar alimento e fornecer calor aos filhotes indefesos.]

Ultimamente ando a ter muitos pensamentos maternais.
(Vejam lá para o que me havia de dar!
Com o pai distante, só mesmo obra do Espírito Santo, que deve ter mais em que pensar do que me fazer conceber sem pecado!)

No próximo fim de semana vou dedicar-me aos treinos.
Mas neste…

olhar microscópico

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
Livro dos Conselhos


Quanto tempo perdemos a chorar por dentro, quando afinal a vida tem tanto para nos dar?
Pensem nisto.

02 novembro 2006

saudades

tenho saudades. confesso.

(sentimento português, este!)

saudades de fazer sem pressas yoga junto ao rio.
saudades da tua pele na minha pele.
saudades de correr junto à marginal dentro do nevoeiro.
saudades de rir com os amigos de tudo e de nada.
saudades de mergulhar com os peixes em águas azul prata.
saudades de ler os livros que se acumulam à minha espera.
saudades de olhar a paisagem através da minha Leica M6.
saudades da minha avó que continua viva dentro de mim.
saudades da minha crença incondicional no mundo e nas pessoas.
saudades de ter saudades de mim.

tenho saudades.
ponto final. tenho dito.