caminho
Eu tinha meus pés naquela parte da vida
onde não se pode ir com intenção de regressar
Dante Alighieri, in Vita Nova
[Getty Images]
Eu tinha meus pés naquela parte da vida
[Getty Images]
Estranho como o sorriso de um bisturi
[ariana luna] 2009
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
[Scarlett Johansson, fotografada por Annie Leibovitz]
[Porque continuo a acreditar num amor assim. Infinito.]
[deviantART - imagem manipulada]
Quem tem o amigo mais querido, que escreve para mim em caracteres de madeira?
[Coisas de amigos designers, apaixonados por tipografia...]
Só pode voar quem arriscar cair.
[deviantART - imagem manipulada]
Querer alguém, ou alguma coisa, é muito fácil. Mesmo assim, olhar e sentirmo-nos querer, sem pensar no que estamos a fazer, é uma coisa mais bonita do que se diz. Antes de vermos a pessoa, ou a coisa, não sabíamos que estávamos tão insatisfeitos. Porque não estávamos. Mas, de repente, vemo-la e assalta-nos a falta enorme que ela nos faz. Para não falar naquela que nos fez e para sempre há-de fazer. Como foi possível viver sem ela? Foi uma obscenidade. Querer é descobrir faltas secretas, ou inventá-las na magia do momento. Não há surpresa maior.
Miguel Esteves Cardoso
[vi.sualize.us]
Deitada és uma ilha. Que percorro
[vi.sualize.us]
[vi.sualize.us]
[Não me demoro. Vou lá fora testar o equipamento novo junto ao mar e já volto...]

[Como manda a tradição, o S. João comemora-se há muitos anos na casa do J. É um prazer rever amigos que habitualmente não vejo e rir-me com eles durante uma noite inteirinha. É mesmo muito bom!... Hoje será assim. Para não quebrar a (minha) tradição. Façam o favor de também se divertirem, sim?]
[surrupiado daqui]Voa coração.

[Getty Images]
[Há dias em que não queria ter coração. Queria sentir menos. Anestesiá-lo. Desligá-lo das máquinas. Dizer-lhe baixinho que não sinta. Apertá-lo com força até lhe tirar todo o sangue. Tirar-lhe umas peças se possível.]
[diálogo do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain]




[imagens do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, um dos filmes que nunca me canso de rever]
vou viver
[Fazem hoje 25 anos que morreu o António. Na nossa memória e na nossa cultura, a sua voz continua viva. Sempre. ]
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.
[DeviantART - pormenor]
Olhei para ti como há muito tempo não o fazia. Acariciei-te com dedos de lã e puxei-te contra o meu peito. Senti o teu peso nas minhas mãos. Os mágicos espelhos a projectarem-te para mim. A textura da tua pele. Encostei-te ao ouvido para te escutar a deslizar por dentro. A sentir-te minha. Recordei os momentos que eternizamos, os risos que captamos, as noites que te fiz disparar acelerada, as manhãs cuja luz foi só nossa. Prometo que não fico tanto tempo sem dar notícias.
[DeviantART - pormenor]
[Vou mostrar-te a minha praia. O meu paraíso. Amanhã vamos ser - como sempre fomos - uma só.]
[Por vezes, nem é preciso mudar o caminho ou a direcção. Basta mudar a perspectiva.]
[Getty Images]
gravidade » força atractiva que a massa da Terra exerce sobre os corpos; [No movimento em queda livre, a aceleração da gravidade tem como valor médio 9,8 m/s.]
Bastava-nos amar. E não bastava
[DeviantART]
Querido(a) vizinho(a) acha bonito andar a rabiscar a parede no meu espaço da garagem?
[Se o(a) apanho nesta brincadeira, vamos ter uma conversa…]
Quase gosto da vida que tenho. Não foi fácil habituar-me a mim. Tive de me desfazer das coisas mais preciosas, entre elas de ti. Sim, meu amor, tive de escolher um caminho mais fácil. […] Não sei se valeu a pena mas também não me pergunto se valeu a pena. Há muitas coisas assim. Não é desistir, é só dar demasiada importância a coisas que não a têm.
[DeviantART - pormenor]
Pablo Neruda in Poema 14
[DeviantART - pormenor]
Fecho os olhos e estás ao meu lado. A sorrir com aquele sorriso tímido que se abre lentamente e te ilumina os olhos que passam de tristes a sonhadores. Pegas na minha mão e passeias os teus dedos pelos meus tão suavemente como se não pudesses ver e me quisesses conhecer tacteando a minha pele. Dizes que me vês inteira e completa, e que lá dentro [onde não conseguia chegar] brinca uma menina com estrelas-do-mar e flores no cabelo. Cozinhas pratos mágicos e o meu rosto sorri com as cores que desenhas para mim. Arranjas o puff vermelho com as tuas mãos que agarram o mundo inteiro e saltamos ao mesmo tempo como quem tenta apanhar aquela nuvem perfeita. Agarras-me e seguras-me e prendes-me a ti com tanta força que me sinto sufocar. Passo a mão na tua cabeça como se pudesse ler-te o pensamento e chegar-me a mim. Conto secretamente os passos que dás pela casa e adivinho a sombra projectada pelo teu perfil. Pintamos no tecto uma lua prateada e rimos até às lágrimas das parvoíces, das ausências e dos desencontros. Cantas para mim baixinho até eu adormecer do teu lado e entro sorrateira nos teus sonhos. Caminhamos pela areia morna à hora das gaivotas e congelamos todos os momentos para mais tarde relembrar as cores dos dias leves e felizes. Beijas a curva do meu ombro para me acordar delicadamente e abres a janela para a manhã derramar sobre nós aquela luz conhecida. Enroscas-te a fingir que queres rever um filme antigo e adormeces nos meus braços protegido de todas as sombras. Ficas a ronronar muito quieto e eu não ouso mexer um único músculo. Fico a olhar-te como se nada mais existisse. As curvas perfeitas dos teus lábios e a cicatriz enigmática que conheço milimetricamente. Aproximo-me de mim cada vez que te chegas mais perto. Arrancas com as tuas mãos toda a tristeza arquivada no meu coração e dizes-me que nunca irás desistir de mim. Porque me vês com uma certeza inabalável. Porque não existe mais ninguém para ti em toda a galáxia. Porque sabes que sou eu desde o primeiro dia. Quando escrevi para ti e completei as tuas palavras.

[Google / Getty Images - imagem manipulada]
[DeviantART - pormenor]
nunca (Do lat. nunquam, «id.») em tempo algum; jamais; em nenhuma circunstância; nenhuma vez; sempre (Do lat. semper, «id.») em todo o tempo; sem fim; eternamente; continuamente; constantemente;
Obrigada E.,
[ariana luna]
[Porque nada (mas mesmo nada) é mais importante do que isto]
A M. morreu. Foi encontrada pela mãe no quarto hoje pela manhã. Tinha apenas mais 3 anos do que eu. Ainda não se sabe porque morreu. Ligaram-me apenas a dizer que tinha morrido. Passei os verões e muitos fins-de-semana da minha meninice e adolescência com a M., que vivia na casa contígua à da minha prima. Passávamos os dias na praia até ao pôr-do-sol, a rir, a fazer amigos, a conversar sobre tudo, a sonhar. Conhecia a M. desde sempre. A vida foi-nos separando mas lá a encontrava de tempos a tempos e fui sabendo sempre notícias dela. A M. morreu. Tinha apenas mais 3 anos do que eu. Tinha toda uma vida para ser feliz. Tal como temos todos, mas ocupados como andamos sempre, nem nos lembramos que amanhã podemos não estar aqui. A M. morreu. Lembro-me sobretudo dos seus cabelos negros como asas de andorinha e do sorriso discreto. A M. morreu. Tinha apenas mais 3 anos do que eu. E ainda não me consigo acreditar nem sei o que sentir.
Nas últimas semanas tenho reflectido bastante acerca de alguns dos valores essenciais na minha vida. Revelou-se um período profundamente catártico. [re]Descobri que:
[ariana luna] Paraíso secreto algures no Norte, Maio 2009
Em conversa com um amigo, falávamos acerca da importância do local onde se nasce e se cresce para a construção da personalidade e do carácter humano.
[Getty Images - manipulada digitalmente]Dele dependem
[Getty Images]
[Getty Images]
[Até breve. Cuidem bem de vocês. E silêncio, que este blog está a relaxar…]
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.
[imagem surripiada aqui]
O meu problema com a ressurreição dos mortos é que não sei se me apetece voltar a encontrar os meus melhores amigos. Temo um embaraço por falta de assunto. E o resto da gente não se tornou concerteza mais interessante do que foi em vida lá por ter passado pela experiência única da morte. Sendo assim receio que a vida depois da morte seja mortalmente entediante. O que é que tu achas?
[Getty Images]
Deve haver um lugar onde um braço
[Imagem do filme From Here to Eternity (1953), de Fred Zinnemann]
[Continuo a descobrir tesouros perdidos nas imensas caixas de livros que trago da casa dos meus pais, desde a mudança. Este fim-de-semana encontrei este pequeno livro (uma 1ª Edição de Outubro de 1982) repleto de delicados poemas que passeio com os meus dedos e devoro com os meus olhos ávidos de palavras simples.]
Quando as palavras não dizem o que somos.
Existem coisas e momentos de uma beleza tão simples e arrebatadora que nos enternecem. Esta foi uma delas.
[ariana luna] Fevereiro 2009
[Getty Images]Não é todos os dias que ao sair de casa [depois de uma noite mal dormida e com vontade de voltar para a cama] me deparo com toda esta cor a irromper num céu azul.

[ariana luna] Fevereiro 2009
[Não experimentem fotografar a conduzir em auto-estrada num dia de chuva em hora de ponta. A imagem pode ficar desfocada…]


[ariana luna] Março 20091, 2,
[Durante um Verão inteirinho a minha prima deliciou-se a assustar-me nos imensos corredores da casa de praia, utilizando o meu medo pelo Freddy Krueger. Fazia ranger lâminas, colocava massa de rissóis no rosto para imitar a face queimada escondendo-se atrás das cortinas do meu quarto e trauteava esta cantilena que ainda hoje me dá arrepios. Enfim… coisas de meninas com tempo de sobra para brincar.]
A cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte. Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas. Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura. Ora amarga. Ora doce. Para nos lembrar que o amor é uma doença, quando nele julgamos ver a nossa cura.
O que é preciso para encontrar um amor perdido?


Imagens do filme Slumdog Millionaire, do realizador Danny Boyle; Nasci no dia mais lamechas, pseudo-romântico e piroso do ano. [Entendi desde sempre esta manobra do destino como um mau presságio.]
[DeviantART – imagem manipulada]Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
[Getty Images – imagem manipulada]
Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,
amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo – é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?
Carlos Drummond de Andrade
[Getty Images - imagem manipulada]
Aprendes que a comunhão é matéria delicada, gelo fino, nó frágil. Juntos naquele abraço irrepetível, siamês, desmembrados quando estala a tormenta.
[Getty Images]
[Getty Images]Hoje dói-me pensar,
[Getty Images]
Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos.
[Getty Images][…] a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginamos silêncios, e súbitos regressos quando pensámos que não voltaríamos a encontrar-nos.
[ariana luna] algures num tempo que passouAmanhã é véspera de Natal.
O primeiro passo para conseguirmos o que queremos na vida é decidirmos o que queremos.
[Getty Images]Esqueço-me dos nomes todos. Tu não?
[Getty Images]
Andar à deriva é tão diferente. E podemos continuar sem preocupações… Derretendo a memória até que fique tão fina. Que nos deixe passar… espreitar e rir…
[Getty Images]
Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas. Nunca dizem 'Despacha-te!'. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior. As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo. Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós. Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver televisão.
"... cores perdidamente vivas, sem sombra de delicadeza, verdes que eram azuis, azuis que eram violeta; o ouro dos recipientes para a água, pequenos e preciosos como escrínios; as concentrações da turba vestida de faixas de pano adejantes; os sorrisos nos rostos negros sob os turbantes brancos – tudo isso reverberava nos meus olhos, imprimindo-se na córnea com uma violência tal que a traçava."
[Getty Images]
Sei que deveria estar feliz. Aliás, a rejubilar de alegria e a salivar com a notícia. Depois de um Verão [inteirinho] sem Ferrero Rocher ou Mon Chéri, lá voltaram às prateleiras os chocolates mais "pseudo-elitistas" [o que eu gosto de inventar palavras!].
[Pena que eu só goste de chocolate negro e amargo.]
Na expressão máxima da evolução humana o nosso corpo incluiria [de série] uma tecla Delete [para o cérebro] e uma tecla Restart [para o coração].
[Getty Images]
Fui picada pela mosca tsé-tsé. É a única explicação que encontro para esta vontade irreprimível de dormir.
[Getty Images]O amor é o amor - e depois?!
«Acaba de dar-se entre nós o exemplo do que deva ser um café. Trata-se do novo estabelecimento desta classe, que vem de inaugurar-se num dos grandes pontos centrais do Porto, à entrada da Rua de Santa Catarina. É um dos mais nobremente sumptuosos que conhecemos, pelo que se justifica bem o seu título: Magestic. […] As senhoras da melhor sociedade portuense frequentam-no e aqui está o exemplo aberto para uma nova e grata função do café no nosso país.»


[ariana luna] Café Magestic, Porto, Novembro 2008eu sou a formiga-rabiga
O frio. Os chás de menta e especiarias que aquecem as mãos. As meias de lã. Os cachecóis longos e coloridos. Os cappuccinos com uma pitada de canela e chocolate. Os filmes noite adentro, enrolada na manta. As torradas de pão de centeio com pouca manteiga no bar preferido sobre as dunas. Os banhos [muito] demorados. As mãos entrelaçadas debaixo da manta. Os chinelos quentinhos que substituem as havaianas. Os casaquinhos aconchegantes. As tardes a pintar junto à janela onde a chuva a fustiga e acaricia. Os chás de limonete a perfumar o ar. As músicas sempre a tocar nas sonolentas tardes de domingo. Os bolos de iogurtes ou de cenoura. As manhãs de sol com o frio [tão bom!] a cortar o rosto nos passeios junto ao mar. Livros que me abrem [sempre] novos mundos. As revistas e as almofadas espalhadas junto ao pouf vermelho. O chocolate quente no café secreto na minha praia. As árvores vestidas de todas as cores. A gabardine cor de chocolate. Os guarda-chuvas que perco algures em poucos minutos. As noites em que adormeço embalada ao som das primeiras chuvas.
[Getty Images]
Hoje roubei todas as rosas dos jardins
[Getty Images]
Era uma vez uma menina que queria ter tempo.
Roubaram-me o pôr-do-sol. Nem mais!
[ariana luna] Paraíso Secreto algures no Norte, Outubro 2008



[ariana luna] Ney Matogrosso, Coliseu do Porto, 19 de Outubro de 2008Deus meu, porque não me fizeste insensível e com uns bons neurónios a menos?
Uma pessoa é um mistério, duas, com um abismo pelo meio, uma prodigiosa contradição.
[Getty Images]
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
[Getty Images]
De todos os cantos do mundo
[ariana luna] Setembro 2008
Na minha praia. No meu paraíso.]
Num museu de fachada imponente, pintado a amarelo e rosa-seco, numa pacata cidade do norte, esconde-se um espaço único na Península Ibérica. Um mundo de sonhos, de história, de arte, de sorrisos abertos e mãos generosas.
[ariana luna] Museu da Chapelaria, Setembro 2008
[ariana luna] Sr. Méssio Trindade – 81 anos de doçura, Setembro 2008
[desculpa o atraso!]
[ariana luna] 2007 Querido menino Jesus,

[P.S. Se quiseres, podes ficar com a motosserra, mas desde já te aviso que o teu pai não te vai deixar usá-la tão cedo.]
A dor é bactéria, cuspo viral, réptil viscoso que faz ninho. Assim que nos entra, nunca mais nos deixará. Mastiguemos ambas as palavras: nunca mais. Invade-nos silenciosa. Mistura-se com todo o sangue e tripas que há em nós, comanda-nos sem se deixar ver.
[Getty Images]
[A dor é um artifício da memória para que os obstáculos do nosso percurso fiquem vincados nas cicatrizes da alma. Não fecho os olhos, não finjo que não existe, não me atormenta nem sequer me inquieta. A minha dor – aninhada e sossegada cá dentro – convive pacificamente comigo e segreda-me que só existe porque sinto intensamente.
Hoje tive um sonho mau. Daqueles que não queria ter tido, porque me tolhe o sorriso e me contrai o coração até ficar pequenino como uma ervilha.]
Porque é que sempre que anuncio que pretendo gozar os prazeres do sol, o tempo me troca as voltas?
[Getty Images]
[Getty Images][Este fim-de-semana vou passaritar para a minha praia. Desfrutem deste sol, sim?]
Estranho como o sorriso de um bisturi.
[ariana luna] Setembro 2008
É bom ter um lugar secreto. Uma praia só minha.
[ariana luna] Paraíso Secreto algures no Norte, Setembro 2008
[Getty Images]
* Estou além de António Variações
Deveria haver um lugar onde todo o ser humano pudesse viver livremente como um cidadão do mundo. Um lugar onde o despertar do homem e o seu progresso interior se fizessem na harmonia entre o corpo e o espírito. Um lugar onde as artes se encontrassem a fim de acordar as consciências. Um lugar consagrado a criar relações de fraternidade entre os homens e a fazer prevalecer a paz no mundo.
[ariana luna] Lugar Secreto perdido no tempo, Setembro 2007
[Pode parecer um discurso quixotesco de candidata a Miss Portugal, mas se "Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce"… ]
Fazes-me chorar sempre que [penso que] te toco.
[ariana luna] Mercearia no Paraíso Secreto algures no Norte, Setembro 2008Foi finalmente encontrada a peça perdida do puzzle, descoberto o fulcro da questão, solucionado o busílis de milénios de mentes masculinas insatisfeitas e famintas de variedade. Segundo as últimas investigações, o gene 334 é [científica e absurdamente] o responsável pela infidelidade masculina.
[Getty Images]esta madrugada perfilhei as pisadas
[Getty Images]Chegaste. Eu não te esperava. Contigo trouxeste a ternura, o desejo e, mais tarde, o medo. Chegaste e eu não conhecia essa ternura, esse desejo. Em casa, no meu quarto, neste quarto, revi os teus olhos na memória, a ternura, o desejo. E, depois, aquilo que eu sabia, o medo. E passou tempo. Eu e tu sentimos esse tempo a passar mas, quando nos encontrámos de novo, soubemos que não nos tínhamos separado.
[Getty Images]espaço
[para escutar nas noites mais iluminadas que os dias]
Acendo um cigarro e falo com o meu coração:
[ariana luna] Paraíso Secreto algures no Norte, 2008
[Capri-Sonne, quem se lembra? Uma das gulodices da minha meninice. Ontem fui presenteada com todos os sabores, para matar saudades de uma infância muito feliz.]
Basta eu referir despreocupadamente que conto os dias por sol e preguiça e lá começa a cair [aqui no Porto, pelo menos] sorridente chuvinha da boa, todo o santo fim-de-semana. Daquela que molha e que impede [a maioria das pessoas] de ir à praia e gozar os prazeres do sol.
[Getty Images - manipulada digitalmente]
[Ei, tu aí em cima?! Que sentido de humor inoportuno!...]
Amanhã inicio-me como aprendiza nas artes culinárias com quem percebe muito do assunto.



[Getty Images]
[Suspeito que vou adorar.]
Não tenho coração, pensava nas noites em que ficávamos a olhar o reflexo da lua no Atlântico.
[DeviantArt - manipulado digitalmente]
As calorias são pequenos animais que moram nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.

[Quero lá saber! Apetece-me tanto um gelado…]
Arrebatados, capturados por uma imagem, apenas uma imagem, uma simples imagem que os deixava expostos e indefesos. Os encontros, a exploração embriagada da perfeição, a adequação inesperada do objecto de desejo, a doçura do começo, o tempo próprio do idílio. Delírios, desejos, esperanças, fantasias, sonhos, sofrimentos, feridas, angústias, ressentimentos, desesperos. A paisagem destruída de um casal depois da fúria devastadora da paixão.
[Imagem da peça "Punhal na Carne"] Teatro do Campo Alegre, Junho 2008Quero ver
[Getty Images]
[Um dia descobrirei todos os mistérios das águas de todos os mares. As cores únicas, a luz sublime reflectida na água, a admirar extasiada todos os seres, numa dança lenta…]
Duas pessoas são duas pessoas. Nunca nos pomos a pensar nisto assim, mas é inultrapassável. Queremos sempre acreditar que um casal, por exemplo, são duas pessoas que se escolheram um ao outro para partilharem. Para viverem como cúmplices. E isso até pode acontecer muito tempo, numa data de coisas.

[ariana luna] Pavilhão Chinês, Lisboa, Maio 2008Não te quero senão porque te quero,
[ariana luna] Janeiro 2008
Gosto de cactos.

[ariana luna] Junho 2008, cacto GymnocalciumTrês dias no Porto, num hotel na Foz, com uma nesguinha de mar na janela. À noite, mesmo com as luzes do quarto apagadas, um halo de milagre sobre a cama, um dia mais secreto, mais íntimo, a modelar as coisas e os corpos. A claridade vinda não sei donde, da pele talvez, transfigurava tudo, as almofadas inchavam de luz, cada prega do lençol desfazia-se numa cadência de onda. O silêncio da rua que o silêncio da chuva, de tempos a tempos, aumentava, acrescentando palavras às vozes. Meu Deus, como com tão pouco se constrói o mundo. […]
agora que o teu corpo é só miragem
Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.
[Getty Images]
Do lat. invidìa, significa o desejo de possuir algo que outra pessoa possui ou de usufruir de uma situação semelhante à de outrem; cobiça;
[Alegrarmo-nos com a felicidade e o sucesso dos outros significa não só crescimento interior, mas sobretudo uma paz de espírito e um olhar sereno e confiante perante a vida. Pelo contrário, a inveja – um dos sentimentos mais mesquinhos do ser humano – mostra somente pequenez de carácter. Sonhar os sonhos dos outros deve ser mesmo aborrecido…]
Nada é mais belo que um corpo nu. A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, eu aqui estou.Apesar da euforia e da colossal ilusão dos portugueses, adeptos fervorosos e incondicionais da sua selecção nacional (que já comemoram mesmo antes do campeonato começar), segundo um estudo (publicado pela Agência Lusa a 19 de Maio) realizado pelo Social Issues Research Centre em 17 países europeus (com o apoio em Portugal do Departamento de Sociologia da Universidade do Porto), 83% dos portugueses "troca um jogo de futebol por sexo".
[Getty Images]
[Confesso que este estado febril, de selecção nacional ao pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia estava a deixar-me preocupada, mas afinal somente 17% dos portugueses é que são parvos. Vá lá, podia ser pior…]
Sou fascinada desde sempre pelos Lenços dos Namorados. Designados também como "Lenços de Pedidos", eram o mote para a conquista do pretendente. As cores fortes, as palavras simples pejadas de erros ortográficos, os desenhos estilizados e mal amanhados, o enamoramento, a sedução subliminar, a simbologia romântica [com juras de amor eterno], campestre, náutica e religiosa, fazem destes pequenos lenços quadrados, peças de grande riqueza histórica do nosso país. Pensa-se que as origens desta tradição minhota remontam aos lenços senhoris dos sécs. XVII -XVIII, adaptados mais tarde pelas mulheres do povo, bordando-os com este aspecto característico.
[Não são um mimo?]
Deliciada com tantas cerejas...
[Getty Images]
[A minha reclamação de ontem resultou. Depois de uma semana tempestuosa (no final de Maio?!?), hoje está um dia radiante com céu azul e um sol lindo!...]
[Getty Images]
O que há em mim é sobretudo cansaço
[Getty Images]
Não é o ângulo recto que me atrai.
[DeviantArt]
Os homens são brutos e insensíveis. Matam mais criancinhas, portam-se pior à mesa, cospem e coçam-se mais. Os homens – e sobretudo os homens que gostam de mulheres – são menos inteligentes, menos delicados e menos civilizados que as mulheres. A única coisa que têm a favor deles, à parte de certas características discutíveis, como serem menos histéricos, é as mulheres gostarem deles.
[Depois de uns dias com 3 cromos – daqueles de colecção, raros e com impressão metálica, onde o texto citado assenta como uma luva – começo a dar mais valor a alguns homens…]
Procuro um Bonsai.
[Ainda não descobri o meu bonsai, embora tenha apreciado num local mágico, dezenas destas pequenas árvores que me transportam para um jardim secreto, onde só cabem sonhos felizes…]
Às vezes olhamos para as pessoas como um espelho. E esse reflexo faz com que gostemos mais de nós próprios. *
[the juicy kiss]
Não vou falar das novas regras a serem implementadas a breve trecho, do meu desagrado por este delapidar da nossa cultura ou tampouco das inúmeras cedências de Portugal para fazer parte do rebanho.
Adoro-te minha gata de Janeiro meu amor minha gazela meu miosótis minha estrela aldebaran minha amante minha Via Láctea minha filha minha mãe minha esposa minha margarida meu gerânio minha princesa aristocrática minha preta minha branca minha chinezinha minha Pauline Bonaparte minha história de fadas minha Ariana minha heroína de Racine minha ternura meu gosto de luar meu Paris minha fita de cor meu vício secreto minha torre de andorinhas três horas da manhã minha melancolia minha polpa de fruto meu diamante meu sol meu copo de água minhas escadinhas da Saudade minha morfina ópio cocaína minha ferida aberta minha extensão polar minha floresta meu fogo minha única alegria minha América e meu Brasil minha vela acesa minha candeia minha casa meu lugar habitável minha mesa posta minha toalha de linho minha cobra minha figura de andor meu anjo de Boticelli meu mar meu feriado meu domingo de Ramos meu Setembro de vindimas meu moinho no monte meu vento norte meu sábado à noite meu diário minha história de quadradinhos meu recife de Manuel Bandeira minha Pasargada meu templo grego minha colina meu verso de Höderlin meu gerânio meus olhos grandes de noite minha linda boca macia dupla como uma concha fechada meus seios suaves e carnudos meu enxuto ventre liso minhas pernas nervosas minhas unhas polidas meu longo pescoço vivo e ágil minhas palavras segredadas meu vaso etrusco minha sala de castelo espelhada meu jardim minha excitação de risos minha doce forquilha de coxas minha eterna adolescente minha pedra brunida meu pássaro no mais alto ramo da tarde meu voo de asas minha ânfora meu pão-de-ló minha estrada minha praia de Agosto minha luz caiada meu muro meu soluço de fonte meu lago minha Penélope meu jovem rio selvagem meu crepúsculo minha aurora entre ruínas minha Grécia minha maré cheia minha muralha contra as ondas meu véu de noiva minha cintura meu pequenino queixo zangado minha transparência de tules minha taça de oiro minha Ofélia meu lírio meu perfume de terra meu corpo gémeo meu navio de partir minha cidade meus dentes ferozmente brancos minhas mãos sombrias minha torre de Belém meu Nilo meu Ganges meu templo hindu minha areia entre os dedos minha aurora minha harpa meu arbusto de sons meu país minha ilha minha porta para o mar meu manjerico meu cravo de papel minha Madragoa minha morte de amor minha Ana Karénine minha lâmpada de Aladino minha mulher.
Foram dias de risos, amigos, viagens, encontros, cumplicidades, partilha, jantares de palhaçada, descoberta de novos lugares, maresia, reencontros, novos amigos, gargalhadas noite adentro, miradouro sobre as luzes ténues da cidade, noite quente na Baía, cantoria das músicas da nossa infância, chá de frutos da paixão, passeios em Sintra, museus repletos de memórias, ruas históricas, lojas com objectos irresistíveis, pequenos-almoços em cafés estranhamente simpáticos, esplanadas na marina, novos sabores, conversas até adormecer, andorinhas na varanda, 19 aviões pela madrugada, conversas sobre carros e mais carros, pequenos segredos, sorrisos e olhares que riam mais ainda, recordações felizes, abraços sentidos, gatos espalhados a colorirem a minha noite, tostas de mozzarella, baleias às riscas, caminhadas intermináveis, coração tranquilo.
[ariana luna] Lisboa, Maio 2008
Fizeste-me sentir que ainda era possível abrir portas diante de uma parede sem portas, que talvez não fosse o fim mas o começo de tudo.
[ariana luna] Setúbal
Não gosto de amarelo. Confesso. Essa cor cansa-me os olhos.

[Getty Images]
Açafrão deriva do árabe az-zá afran, aglutinado na palavra azzafaran, que nada mais significa que amarelo.
A planta do açafrão provém da família das Iridáceas, também designada açafroeira ou açaflor e, segundo consta, para obter alguns gramas de açafrão, são necessários milhares de flores desta especiaria.
Life was like a box of chocolates.
[Getty Images]
* do filme Forrest Gump
Na noite em que bebeste medronho, e me pediste a lua, ouvi os deuses cantarem de dentro das pedras. Enquanto me fazias perguntas, e eu te olhava como se nunca te tivesse visto, limitei-me a recolher o canto que subia da terra, como se nele estivesse a resposta que me pedias. E entre o pedaço de seio que subsiste dessa noite, e a lua que não fui buscar, o tempo escorre pelas mãos que guardaram a tua voz, como se fosse um fruto, e a deixaram macerada nos meus ouvidos, para que dela nascesse o licor do poema.
O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
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[Hoje acordei com um céu azul e um sol morno que me aqueceu a alma. E só por isso vale a pena querer acordar de manhã bem cedo. Bom fim-de-semana e façam o favor de ser felizes.]
Admito que gostava de saber, mas apetece-me ir descobrindo...
[Getty Images]É impressão minha ou este blog anda a resvalar para a fronteira da lamechice?
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[Tenho que reverter esta tendência. Férias, é do que eu preciso! Um fim-de-semana prolongado, para ser mais realista…]
se te perguntarem por nós, sobre
seja o amor um grifo esfomeado
[Getty Images - manipulada digitalmente]
O amor é um animal selvagem que chega até nós em silêncio. Aloja-se em nós e ocupa cada ponto do nosso corpo, mais, toda a nossa vida. O seu poder de contaminação é total. Basta um olhar. O amor é esse conflito permanente e completo: liberta e agarra, é doçura e amargura, refaz e desfaz, ressuscita e adormece, faz-nos sonhar e confronta-nos com a realidade pura e dura, dá à luz. Mas também tem o poder de nos matar.
[ariana luna] 2007Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
[Getty Images]
Foi um processo longo e difícil, como sempre o são as aproximações entre duas pessoas habituadas a estarem sozinhas. Primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que parece instalar-se onde dantes estava a intimidade. É preciso saber passar tudo isso e conseguir chegar mais além, onde a cumplicidade – de tudo, o mais difícil de atingir – os torna verdadeiramente amantes.
Hoje não quero ser grande.
[DeviantART]Pergunta-me

[ariana luna] Setembro 2007
[Quando descobri este poema não consegui conter uma lágrima, que se escapou sem que desse conta. Existem poemas assim. Cuja beleza das palavras me aquece nos dias mais frios.]
Sonho contigo desde que nasci.
Ontem, alguém com quem tinha trocado somente algumas frases pergunta-me se era do signo de Aquário. Questionei-o sobre o porquê da pergunta, pois a nossa conversa nada tinha a ver sobre o assunto. Para não me alongar na matéria, respondi-lhe efectivamente que era, mas fiquei a pensar porque é que várias pessoas (sim, não foi o primeiro caso) já me perguntaram se era do signo Aquário.
If the doors of perception were cleansed
[ariana luna] algures, num fim de tarde de 2007
Segui o bom exemplo da BC e semeei várias ervas aromáticas para personalizar as minhas experiências culinárias.