Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

caminho

Eu tinha meus pés naquela parte da vida
onde não se pode ir com intenção de regressar

Dante Alighieri, in Vita Nova


[Getty Images]

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

[chega um dia à nossa vida]

Estranho como o sorriso de um bisturi
Íntimo como um olho sem pálpebra aberto na nossa mão.
Deslumbrante como o rumor da passagem de um unicórnio.
Fiel como a súbita seda negra do medo.
Temível como o brilho da espada de fogo de um arcanjo.
Submisso como as ondas que rebentam contra a praia de um peito.
Devastador como a clareza de um olhar num espelho quebrado.
Inevitável como a ferida feita pela chuva num coração de pedra,
o amor chega um dia à nossa vida e nós não estamos.

Abelardo Linares

[ariana luna] 2009

Domingo, 5 de Julho de 2009

[ao teu lado]

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.


Eugénio de Andrade, in Adeus

[Scarlett Johansson, fotografada por Annie Leibovitz]

[Porque continuo a acreditar num amor assim. Infinito.]

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

[porque cada dia é irrepetível]

[daqui]

[Para todos, um fim-de-semana memorável. Quer chova, faça sol ou esteja aquele tempinho amuado. O meu começou ontem. Em grande.]

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

[nossa]

A nossa noite ontem à tarde
foi a manhã por que esperávamos.

David Mourão-Ferreira


[deviantART - imagem manipulada]

caracteres

Quem tem o amigo mais querido, que escreve para mim em caracteres de madeira?

[Coisas de amigos designers, apaixonados por tipografia...]

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

arriscar

Só pode voar quem arriscar cair.
Só se pode dar quem arriscar sentir.

Mafalda Veiga, in Abraça-me bem

[deviantART - imagem manipulada]

Sábado, 27 de Junho de 2009

querer

Querer alguém, ou alguma coisa, é muito fácil. Mesmo assim, olhar e sentirmo-nos querer, sem pensar no que estamos a fazer, é uma coisa mais bonita do que se diz. Antes de vermos a pessoa, ou a coisa, não sabíamos que estávamos tão insatisfeitos. Porque não estávamos. Mas, de repente, vemo-la e assalta-nos a falta enorme que ela nos faz. Para não falar naquela que nos fez e para sempre há-de fazer. Como foi possível viver sem ela? Foi uma obscenidade. Querer é descobrir faltas secretas, ou inventá-las na magia do momento. Não há surpresa maior.
O que é bonito no querer é sentirmo-nos subitamente incompletos sem a coisa que queremos. […] Por que razão não nos sentimos inteiros quando queremos? É porque a outra pessoa, sem querer, levou a parte melhor que havia em nós, aquela que nos faz mais falta. É a parte de nós que olha por nós e nos reconcilia connosco. Quanto mais queremos outra pessoa, menos nos queremos a nós…
Querer é mais forte que desejar, pelo menos na nossa língua. Querer é querer ter, é ter de ter. Querer tem mesmo de ser. Na frase felicíssima que os Portugueses usam, "o que tem de ser tem muita força". Desejar tem menos. É condicional. Quem deseja, desejaria. […]
O querer é bonito porque, concentrando-se na coisa ou na pessoa que se quer, elimina o resto do mundo. O resto do mundo é uma entidade muito grande que tem graça e tem valor eliminar. Querer um homem em vez de todos os outros homens, uma mulher em vez de todas as outras mulheres é fazer a escolha mais impossível e bela. Acho que se pode ter tudo o que se quer de muitas pessoas ao mesmo tempo, mas que não se pode querer senão uma pessoa. Ter todas as pessoas não chega para nos satisfazer, mas basta querer só uma, e não a ter, para nos insatisfazer. É por isso que se tem de dar valor à vontade.


Miguel Esteves Cardoso

[vi.sualize.us]

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

[porque só assim faz sentido]

Deitada és uma ilha. Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias

Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias.

David Mourão-Ferreira

[vi.sualize.us]

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

running

Porque estou a adorar cada maravilhoso horrível minuto.
[Slogan Adidas ao novo equipamento de running Supernova Glide]

[vi.sualize.us]


[Não me demoro. Vou lá fora testar o equipamento novo junto ao mar e já volto...]

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

S. João

Santo António já se acabou
O S. Pedro está-se a acabar.
S. João, S. João, S. João.
Dá cá um balão para eu brincar.

[ariana luna]

[Como manda a tradição, o S. João comemora-se há muitos anos na casa do J. É um prazer rever amigos que habitualmente não vejo e rir-me com eles durante uma noite inteirinha. É mesmo muito bom!... Hoje será assim. Para não quebrar a (minha) tradição. Façam o favor de também se divertirem, sim?]

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

amazing life

[surrupiado daqui]

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

scrabble

[surrupiado daqui]


[Sempre. Apesar de tudo. Dos passos em falso, das pequeninas ilusões, das pedrinhas no sapato, dos contratempos, das desilusões, das surpresas menos agradáveis, das noites mal dormidas, das derrotas, dos caminhos difíceis, das máscaras, das palavras atiradas ao acaso. Apesar de tudo. I am a dreamer. Always.]

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

cá dentro

Voa coração.
Ou então arde.

Eugénio de Andrade


[Getty Images]


[Há dias em que não queria ter coração. Queria sentir menos. Anestesiá-lo. Desligá-lo das máquinas. Dizer-lhe baixinho que não sinta. Apertá-lo com força até lhe tirar todo o sangue. Tirar-lhe umas peças se possível.]

Domingo, 14 de Junho de 2009

in your dreams

She is in love.
I don't even know her!
Oh, you know her.
Since when?
Since always. In your dreams.

[diálogo do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain]

[imagens do filme Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain, um dos filmes que nunca me canso de rever]

Sábado, 13 de Junho de 2009

viver

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,

amanhã,
espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer


António Variações, in Quero é Viver

[Fazem hoje 25 anos que morreu o António. Na nossa memória e na nossa cultura, a sua voz continua viva. Sempre. ]

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

eternidade

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.

Carlos Drummond de Andrade

[DeviantART - pormenor]

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

nas minhas mãos

Olhei para ti como há muito tempo não o fazia. Acariciei-te com dedos de lã e puxei-te contra o meu peito. Senti o teu peso nas minhas mãos. Os mágicos espelhos a projectarem-te para mim. A textura da tua pele. Encostei-te ao ouvido para te escutar a deslizar por dentro. A sentir-te minha. Recordei os momentos que eternizamos, os risos que captamos, as noites que te fiz disparar acelerada, as manhãs cuja luz foi só nossa. Prometo que não fico tanto tempo sem dar notícias.

[DeviantART - pormenor]

[Vou mostrar-te a minha praia. O meu paraíso. Amanhã vamos ser - como sempre fomos - uma só.]

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

[sem] gravidade

[Por vezes, nem é preciso mudar o caminho ou a direcção. Basta mudar a perspectiva.]

[Getty Images]


gravidade » força atractiva que a massa da Terra exerce sobre os corpos; [No movimento em queda livre, a aceleração da gravidade tem como valor médio 9,8 m/s.]

Sábado, 6 de Junho de 2009

bastava

Bastava-nos amar. E não bastava
o mar. E o corpo? O corpo que se enleia?
O vento como um barco: a navegar.
Pelo mar. Por um rio ou uma veia.

Bastava-nos ficar. E não bastava
o mar a querer doer em cada ideia.
Já não bastava olhar.
Urgente: amar.
E ficar. E fazermos uma teia.

Respirar. Respirar. Até que o mar
pudesse ser amor em maré cheia.
E bastava. Bastava respirar
a tua pele molhada de sereia.

Bastava, sim, encher o peito de ar.
Fazer amor contigo sobre a areia.


Joaquim Pessoa


[DeviantART]

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

rabisco

Querido(a) vizinho(a) acha bonito andar a rabiscar a parede no meu espaço da garagem?

[Se o(a) apanho nesta brincadeira, vamos ter uma conversa…]

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

caminho

Quase gosto da vida que tenho. Não foi fácil habituar-me a mim. Tive de me desfazer das coisas mais preciosas, entre elas de ti. Sim, meu amor, tive de escolher um caminho mais fácil. […] Não sei se valeu a pena mas também não me pergunto se valeu a pena. Há muitas coisas assim. Não é desistir, é só dar demasiada importância a coisas que não a têm.

Pedro Paixão in A Noiva Judia


[DeviantART - pormenor]

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

devagarinho

Quero fazer contigo
o que a Primavera faz com as cerejeiras.


Pablo Neruda in Poema 14

[DeviantART - pormenor]

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

once upon a time

Fecho os olhos e estás ao meu lado. A sorrir com aquele sorriso tímido que se abre lentamente e te ilumina os olhos que passam de tristes a sonhadores. Pegas na minha mão e passeias os teus dedos pelos meus tão suavemente como se não pudesses ver e me quisesses conhecer tacteando a minha pele. Dizes que me vês inteira e completa, e que lá dentro [onde não conseguia chegar] brinca uma menina com estrelas-do-mar e flores no cabelo. Cozinhas pratos mágicos e o meu rosto sorri com as cores que desenhas para mim. Arranjas o puff vermelho com as tuas mãos que agarram o mundo inteiro e saltamos ao mesmo tempo como quem tenta apanhar aquela nuvem perfeita. Agarras-me e seguras-me e prendes-me a ti com tanta força que me sinto sufocar. Passo a mão na tua cabeça como se pudesse ler-te o pensamento e chegar-me a mim. Conto secretamente os passos que dás pela casa e adivinho a sombra projectada pelo teu perfil. Pintamos no tecto uma lua prateada e rimos até às lágrimas das parvoíces, das ausências e dos desencontros. Cantas para mim baixinho até eu adormecer do teu lado e entro sorrateira nos teus sonhos. Caminhamos pela areia morna à hora das gaivotas e congelamos todos os momentos para mais tarde relembrar as cores dos dias leves e felizes. Beijas a curva do meu ombro para me acordar delicadamente e abres a janela para a manhã derramar sobre nós aquela luz conhecida. Enroscas-te a fingir que queres rever um filme antigo e adormeces nos meus braços protegido de todas as sombras. Ficas a ronronar muito quieto e eu não ouso mexer um único músculo. Fico a olhar-te como se nada mais existisse. As curvas perfeitas dos teus lábios e a cicatriz enigmática que conheço milimetricamente. Aproximo-me de mim cada vez que te chegas mais perto. Arrancas com as tuas mãos toda a tristeza arquivada no meu coração e dizes-me que nunca irás desistir de mim. Porque me vês com uma certeza inabalável. Porque não existe mais ninguém para ti em toda a galáxia. Porque sabes que sou eu desde o primeiro dia. Quando escrevi para ti e completei as tuas palavras.

Fecho os olhos e estás ao meu lado.


[ariana luna]

Domingo, 31 de Maio de 2009

hoje

hoje está um dia lindo
para ser feliz


[Getty Images]

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

[assim...]

[Google / Getty Images - imagem manipulada]

[Este sol apetecível, mar azul e areia branca nos pés deixam-me assim… a jiboiar...]

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

nunca e sempre

Nunca e Sempre
são palavras de carácter definitivo, redutor e inconsequente
[a vida ensina-me a proferi-las moderadamente,
para que não se dispersem como bolas de sabão.]

[DeviantART - pormenor]


nunca (Do lat. nunquam, «id.») em tempo algum; jamais; em nenhuma circunstância; nenhuma vez; sempre (Do lat. semper, «id.») em todo o tempo; sem fim; eternamente; continuamente; constantemente;

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

just perfect

Obrigada E.,
Por me dizeres sempre a verdade que [por vezes não gosto mas] preciso escutar.

A vida não é perfeita. Ou melhor, na vida não podemos viver num estado de perfeição constante. Porque não. Porque não teria graça. Porque o mundo altera-se a cada segundo. Porque mudamos nós também com ele.
As pessoas não são perfeitas. Cada um de nós tem as suas particularidades. Os seus momentos de inquietação, de fragilidade, de parvoíce. E aqui é que começa o busílis da questão.
Desde que nascemos somos preparados para sermos fortes, para competir, para sobreviver, para enfrentar tempestades, para sermos os melhores no que fazemos, para sermos os mais felizes, os mais sorridentes, os mais bem sucedidos, os mais capazes, os mais confiantes, enfim…
Raramente nos ensinam a olhar para nós mesmos [para isso criaram os psicoterapeutas], a olhar para os outros, a olhar pelos outros, a dar real valor aos conceitos partilha e cumplicidade.
Vive-se no espartilho da beleza, do sucesso, do desfile de bens materiais, do ideal de alguma coisa que ainda ninguém sabe bem o quê nem consegue definir.
E para minar tudo isso, criou-se o amor e os amigos, que nos desarmam e deitam por terra todas as utopias.
Ama-se porque se ama. Alta ou baixa, gordo ou magro, tímida ou extrovertida, careca ou cabeludo, forte ou frágil.
Ama-se porque se ama. E quem ama [através de alguma forma ou de algum sinal] consegue dizer "Estou aqui" nos momentos em que nos sentimos envoltos num nevoeiro tão denso que não encontramos o caminho de volta. Ama-se porque se ama. E quem ama, ama-nos quando estamos fortes, alegres, tranquilos, seguros e confiantes, mas [sobretudo] quando estamos perdidos, tristes, inseguros, frágeis, ansiosos ou de coração apertado. Ama-se porque se ama. E quem ama diz-nos sempre a verdade e não se amedronta.

Por isso agradeço todos os dias pelos pais e amigos verdadeiros que tenho. E não me canso de lhes dizer como são fulcrais na minha vida. Como são tudo para mim.


[ariana luna]

[Porque nada (mas mesmo nada) é mais importante do que isto]

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

adeus M.

A M. morreu. Foi encontrada pela mãe no quarto hoje pela manhã. Tinha apenas mais 3 anos do que eu. Ainda não se sabe porque morreu. Ligaram-me apenas a dizer que tinha morrido. Passei os verões e muitos fins-de-semana da minha meninice e adolescência com a M., que vivia na casa contígua à da minha prima. Passávamos os dias na praia até ao pôr-do-sol, a rir, a fazer amigos, a conversar sobre tudo, a sonhar. Conhecia a M. desde sempre. A vida foi-nos separando mas lá a encontrava de tempos a tempos e fui sabendo sempre notícias dela. A M. morreu. Tinha apenas mais 3 anos do que eu. Tinha toda uma vida para ser feliz. Tal como temos todos, mas ocupados como andamos sempre, nem nos lembramos que amanhã podemos não estar aqui. A M. morreu. Lembro-me sobretudo dos seus cabelos negros como asas de andorinha e do sorriso discreto. A M. morreu. Tinha apenas mais 3 anos do que eu. E ainda não me consigo acreditar nem sei o que sentir.

Sábado, 16 de Maio de 2009

catarse

Nas últimas semanas tenho reflectido bastante acerca de alguns dos valores essenciais na minha vida. Revelou-se um período profundamente catártico. [re]Descobri que:

' Tenho amigos maravilhosos e pais de uma ternura extrema e de um carácter, rectidão e generosidade absolutamente irrepreensíveis;

' A vida [apesar de nada fácil e sempre tomada a pulso] tem sido [nos momentos cruciais] generosa comigo;
' Começar de novo não significa "regressar à casa da partida" mas significa [sobretudo] uma oportunidade de aprender com os erros para evoluir e melhorar;
' Não posso proteger-me das desilusões. [Quando amamos ficamos expostos.] Não quero [nunca mais] impedir-me de viver.
' Tenho em cada dia 86400 segundos para viver novas experiências, fortalecer laços com as pessoas que amo, fazer o que me dá prazer, ser menos implacável comigo mesma, melhorar [sempre] como pessoa. Para ser feliz.
' Nem sempre poderei compreender a mudança, os sentimentos ou as ideias, mas devo aceitar a diferença e apoiar o caminho que cada um deseja percorrer.
' Acredito incondicionalmente no poder do amor e que os sentimentos verdadeiramente fortes e genuínos resistem a todas as adversidades, ausências e contratempos.
' Tenho que escutar mais atentamente a voz da minha intuição.
' A dor que senti já não tem espaço no meu coração. É grande demais para a alegria. É demasiado pequeno para a tristeza.
' Todo o bem que fiz, [a quem não o reconheceu, ignorou ou me magoou] fi-lo sempre de coração. Voltaria a fazê-lo em dobro.
' Não vou dedicar o meu precioso tempo, o meu pensamento e o meu sono a pormenores sem importância. Vou considerar que [quase] todas as coisas que me deixam impaciente ou triste não têm importância.
' Nunca escolhi percorrer o caminho mais fácil. Sempre preferi o caminho das pedras, que por vezes se afigura extenuante mas que me revela as melhores paisagens.
' O mar é [cada vez mais] o ambiente onde me tranquilizo, busco energia e reflicto. Onde me sinto em paz.


[ariana luna] Paraíso secreto algures no Norte, Maio 2009

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

[porque sim]

[surrupiado daqui]

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

to be or not to be

Em conversa com um amigo, falávamos acerca da importância do local onde se nasce e se cresce para a construção da personalidade e do carácter humano.
Defendo que ninguém deverá ser discriminado ou rotulado somente por ter nascido ou vivido em determinado lugar e que todos devem ter o direito e a oportunidade de escolherem o seu caminho.
Fiquei com "a pulga atrás da orelha" e fui pesquisar. Existem variadíssimos estudos no campo da psicologia, sociologia e genética que defendem de forma inequívoca que os factores ambientais, sociais e hereditários vivenciados sobretudo na infância e adolescência influenciam sobremaneira a construção da personalidade, atitudes e opiniões.
Diz o ditado popular que "o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita". Talvez os fundamentos do meu amigo,
à luz da ciência, façam afinal sentido. Quem nasce e vive na selva, cedo ou tarde se revela selvagem.

[Getty Images - manipulada digitalmente]

[Continuo a querer acreditar que o ser humano pode sempre mudar. Se essa mudança interior for consciente e verdadeira. Embora agora acredite um pouquinho menos…]

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

?

Dele dependem
todos os que o têm,
não os que vão,
sim os que vêm,
bate sem mãos,
fala sem boca,
nunca sair
pode da toca.


[adivinha popular]

[Getty Images]


[para escutar com o que nos bate cá dentro no peito]

Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

i'm possible

[surrupiado daqui]

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

intervalo

[Este blog está de férias.]

[Getty Images]


[Até breve. Cuidem bem de vocês. E silêncio, que este blog está a relaxar…]

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

sobre o arame

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade


[imagem surripiada aqui]

Domingo, 12 de Abril de 2009

Páscoa *

O meu problema com a ressurreição dos mortos é que não sei se me apetece voltar a encontrar os meus melhores amigos. Temo um embaraço por falta de assunto. E o resto da gente não se tornou concerteza mais interessante do que foi em vida por ter passado pela experiência única da morte. Sendo assim receio que a vida depois da morte seja mortalmente entediante. O que é que tu achas?

Pedro Paixão, in Histórias Verdadeiras


[Getty Images]


[Porque hoje é Páscoa. Porque tenho sorte de não ter perdido muitas pessoas verdadeiramente importantes. Aliás não perdi ninguém. A única pessoa importante que já não está comigo continua viva. Dentro de mim. Sempre.]

* [Do hebr. pesakh, «passagem», pelo lat. vulg. pascùa-, «pastagem», pelo lat. ecl. Pascha-, «Páscoa»]

Festa anual dos Cristãos para comemorar a ressurreição de Jesus Cristo;

Sábado, 11 de Abril de 2009

até à eternidade

Deve haver um lugar onde um braço
e outro braço sejam mais que dois braços
um ardor de folhas mordidas pela chuva,
a manhã perto nem que seja de rastos.


Eugénio de Andrade, in O Peso da Sombra


[Imagem do filme From Here to Eternity (1953), de Fred Zinnemann]

[Continuo a descobrir tesouros perdidos nas imensas caixas de livros que trago da casa dos meus pais, desde a mudança.
Este fim-de-semana encontrei este pequeno livro (uma 1ª Edição de Outubro de 1982) repleto de delicados poemas que passeio com os meus dedos e devoro com os meus olhos ávidos de palavras simples.]

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

quando as palavras...

Quando as palavras não dizem o que somos.
Gastamos em tinta o que prometemos em sonhos.
Quando as palavras não dizem o que somos.

Oh! Meu Anjo da Guarda, eu sei que te dou trabalho.
Eu e tu somos iguais... eu queria tanto fazer-te feliz...
Não esperes que eu consiga mudar da noite para o dia.

Mesa, in Quando as Palavras
Letra e Música de João Pedro Coimbra

Domingo, 29 de Março de 2009

camélia

Existem coisas e momentos de uma beleza tão simples e arrebatadora que nos enternecem. Esta foi uma delas.

[ariana luna] Fevereiro 2009

[Camélia oferecida com um grande sorriso pelo Sr. C. – uma "espécie de avô emprestado", terno, sábio e encantador – numa manhã fria e solarenga de final de Inverno.]

Sexta-feira, 27 de Março de 2009

amoras

[Getty Images]

O meu país sabe às amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar
nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade

Segunda-feira, 23 de Março de 2009

arco-íris

Não é todos os dias que ao sair de casa [depois de uma noite mal dormida e com vontade de voltar para a cama] me deparo com toda esta cor a irromper num céu azul.

[ariana luna] Fevereiro 2009


[Não experimentem fotografar a conduzir em auto-estrada num dia de chuva em hora de ponta. A imagem pode ficar desfocada…]

Segunda-feira, 16 de Março de 2009

hot

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Rubik

[Cubo Pantone - lindo, lindo. lindo!]

Domingo, 8 de Março de 2009

um apetite


[ariana luna] Março 2009

[As minhas ervas aromáticas estão umas crescidas. Salpicam as minhas experiências culinárias de aromas deliciosos! Um apetite...]

Terça-feira, 3 de Março de 2009

Freddy Krueger

1, 2,
Freddy's coming for you
3
, 4,

Better lock your door
5
, 6,

Grab your crucifix
7
, 8,

Better stay up late
9
, 10,

Never sleep again


[Durante um Verão inteirinho a minha prima deliciou-se a assustar-me nos imensos corredores da casa de praia, utilizando o meu medo pelo Freddy Krueger. Fazia ranger lâminas, colocava massa de rissóis no rosto para imitar a face queimada escondendo-se atrás das cortinas do meu quarto e trauteava esta cantilena que ainda hoje me dá arrepios. Enfim… coisas de meninas com tempo de sobra para brincar.]

Domingo, 1 de Março de 2009

em todo o lado

A cidade está deserta e alguém escreveu o teu nome em toda a parte. Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas. Em todo o lado essa palavra repetida ao expoente da loucura. Ora amarga. Ora doce. Para nos lembrar que o amor é uma doença, quando nele julgamos ver a nossa cura.

recitado por Vítor Espadinha na música Ouvi Dizer, dos Ornatos Violeta

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

objecto de culto #1

Quando for grande [e tiver uma Harley] quero um destes.

Capacete Grenelle, in Les Ateliers Ruby

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire

O que é preciso para encontrar um amor perdido?

A. Dinheiro
B. Sorte
C. Inteligência
D. Destino


Imagens do filme Slumdog Millionaire, do realizador Danny Boyle;

[E. Uma bússola?]

Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

primavera

Na minha varanda já é Primavera.

[ariana luna] Fevereiro 2009

Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

14.02

Nasci no dia mais lamechas, pseudo-romântico e piroso do ano. [Entendi desde sempre esta manobra do destino como um mau presságio.]

[DeviantART – imagem manipulada]

[Gosto de corações (do símbolo gráfico, entenda-se), de histórias de amores secretos e proibidos, de poemas arrebatadores, de filmes e músicas que me arrancam cá de dentro emoções desconhecidas e de gestos incontidos de paixão. Nasci neste dia como poderia ter nascido em qualquer outro. Quis a vida (e o corpo da minha mãe preparado para me trazer ao mundo) que nascesse neste dia. Contra factos não há argumentos.]

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

para o B.

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

amores-perfeitos

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

Vinícius de Morais

Segundo as estatísticas actuais de um documentário recente, uma relação dura em média (na melhor das hipóteses) 11 anos.

[Getty Images – imagem manipulada]

[Quantas relações das últimas gerações conhecem com mais de 11 anos? Refiro-me a uma relação completa (não a simples união de 2 pessoas) que não contempla silêncios incómodos, olhares sem ternura, pessoas acomodadas pela existência de filhos, palavras amargas atiradas como dardos ou traições esmagadoras (efectivadas ou sentidas). Que é feito dos amores eternos e perfeitos que nos ensinaram as histórias infantis?]

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

água nos olhos

Sob o chuveiro amar, sabão e beijos,
ou na banheira amar, de água vestidos,

amor escorregante, foge, prende-se,
torna a fugir, água nos olhos, bocas,
dança, navegação, mergulho, chuva,
essa espuma nos ventres, a brancura
triangular do sexo – é água, esperma,
é amor se esvaindo, ou nos tornamos fontes?


Carlos Drummond de Andrade


[Getty Images - imagem manipulada]

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

wake up

Aprendes que a comunhão é matéria delicada, gelo fino, nó frágil. Juntos naquele abraço irrepetível, siamês, desmembrados quando estala a tormenta.
Assustado, sem saber o que fazer, ele isola-te. Empurra-te para longe, afasta-se do abraço.
Já não são um, como julgamos um dia, mas dois distintos, como somos afinal sempre, se realmente abrirmos os olhos e não pensarmos só com o que nos bate dentro do peito.
[…] Lembras-te hoje de toda a preparação. Aquelas coisas em que acreditamos quando ainda não sabemos que será o corpo a doer. E com o corpo não há ensaios.

Rodrigo Guedes de Carvalho, in Canário

[Getty Images]

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

aqui

fecho os meus olhos e
estou aqui

[Getty Images]

[Que ninguém se atreva a dizer-me que hoje está um dia de nevoeiro espesso e triste de chuva, que o trabalho é tanto que nem sei por onde começar, que o trânsito vai estar caótico ao final da tarde e provavelmente não chegarei a tempo da aula de yoga e que neste momento me apetece desaparecer. Fecho os meus olhos e estou aqui.]

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

definitivamente

Alteraste [definitivamente] a minha forma de ver o mundo.

[ariana luna]

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

sol & mar azul

Volta Verão, estás perdoado!

[Getty Images]

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

dói-me

Hoje dói-me pensar,
dói-me a mão com que escrevo,
dói-me a palavra que ontem disse
e também a que não disse,
dói-me o mundo.
Há dias que são como espaços preparados
para que tudo doa.

Roberto Juarroz

[Getty Images]

Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

um pouco menos

Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos.

Bernardo Soares, in Livro do Desassossego

[Getty Images]

[Quando deixamos de amar, não deixaremos que gostar também um pouquinho de nós mesmos? Ou melhor, da imagem idílica de nós próprios, formatada num determinado momento aparentemente perfeito?]

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

o caminho faz-se...

[…] a vida ri-se das previsões e põe palavras onde imaginamos silêncios, e súbitos regressos quando pensámos que não voltaríamos a encontrar-nos.

José Saramago, in A viagem do elefante

[ariana luna] algures num tempo que passou

[A vida troca-nos as voltas, vira-nos do avesso, faz de nós gato-sapato, coloca-nos na corda-bamba, faz-nos questionar tudo. E depois? Esse é o mistério. O verdadeiro e mais delicioso desafio: viver. Sem rede.]

Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

2009

Um 2009 pleno de leveza e genuína alegria.
a
[Getty Images]

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

natal

Amanhã é véspera de Natal.
Ou melhor, amanhã para mim, também é Natal.
Abstraiam-se por breves momentos [vá lá, é um minuto apenas] da correria desenfreada, do trânsito absurdo, do consumismo sem sentido, dos aborrecimentos, do frio e das mensagens formatadas de Boas Festas.

Fechem os olhos e pensem naquele sorriso especial que tiveram daquela criança na fila do supermercado, do abraço cheio de saudades do amigo distante, daquele jantar memorável com o amor da vossa vida, da gargalhada sentida dada com os amigos, do telefonema que receberam do vosso irmão, do carinho único da mamã, do gesto amável da funcionária dos CTT, do mimo de quem está mais próximo, dos mimos ainda mais especiais de quem está longe mas pertinho do coração.

Esse é o meu Natal. O meu pequenino Natal que tento comemorar um minuto por dia, todos os dias. [Nem sempre consigo, é certo.] Este Natal [de 1 dia apenas] parece-me desprovido de significado. O meu Natal de um ano inteirinho parece-me bem melhor.

Para todos que me querem bem, o melhor dos Natais.

Todos dias.

[Para ti, minha avó-menina, estejas onde estiveres, a guardar com as tuas asas os teus filhos e os teus netos, o nosso abraço apertadinho de sempre.]

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

decisão

O primeiro passo para conseguirmos o que queremos na vida é decidirmos o que queremos.
Ben Stein

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

síndrome de filha única

ariana, precisamos conversar
[preciso de momentos a sós comigo]

[Getty Images]

[Para pensar. Para deixar de pensar tanto.]

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

in love

canecas Pantone

[Para chás de todas as cores.]

Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

intimidade

Esqueço-me dos nomes todos. Tu não?
Eu esqueço-me das pessoas.
Mas eu não era assim.
Eu também não.
Eu lembrava-me de tudo.
Tudo é muito. Acaba por não caber. O importante é que te lembres de mim, sim?
Isso não posso. Como é que queres, se te trago comigo dentro de mim?

[…]

O que é que tu estás a fazer em mim?
Eu estou a escrever em ti.
Para mim?
Para os que sabem ler.
Amanhã vou para dentro de ti.
Não gosto que invadas assim o meu espaço.
Não sabia que o meu amor era um astronauta.
Não sejas parvo.
Vou para dentro de ti.
Sabes onde fica?
Nem quero adivinhar.


Pedro Paixão, in Muito, meu amor


[Getty Images]

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

de olhos abertos

Andar à deriva é tão diferente. E podemos continuar sem preocupações… Derretendo a memória até que fique tão fina. Que nos deixe passar… espreitar e rir…
Ontem foi um desses dias. Em que acordamos e os olhinhos não querem fechar, já sabendo que não o farão.
Ficamos a percorrer estradas que não são de terra. Ficamos a pensar na ternura e outras letras menos brilhantes. É incrivelmente belo, diria que feito de momentos, em que já só sai uma raiva tão calma e sem nexo. Depois pensamos com menos clareza, pois o cansaço não ajuda, apesar do que dizem. Lembramo-nos de que nos torce. Do que nos faz sofrer. Arriscamos uma lágrima que não chega a sair, porque percebemos que é relativa.
Era confuso, mas de gigante… poder abandonar tremores demasiado complexos. E poder saltar, mas baixinho… perante o que não é tão forte e só vive da nossa teimosia em continuar.
Depois, ainda de olhos abertos, olhei para fora de mim.

Nuno West, in O Duende Feliz

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

arranquem-me o coração

De manhã abria a janela por onde entrava uma vaga de luz e colhia uma laranja que descascava com dedos. Oferecia-me os seus gomos, que de azedos contrastavam com o doce dos seus beijos.
«Ninguém sabe despertar assim tantos prazeres no meu corpo» dizia-me. E eu perguntava: «Ninguém?» E ela calava-se.

Sereia na banheira com a pele descoberta muito branca, transparente. Veias violetas para os indiscretos como eu, espreitando pela janela em equilíbrio instável.
E os olhos dela fazem lembrar o mar (mas não falemos dos olhos que quase fazem chorar) e as escamas todas nos meus olhos.

Torradas de mel com golos pequenos de chá na varanda de casa, terras de Espanha ao fundo, e o seu corpo quente ainda na memória.
«Esquece-te de tudo.» dizia. «Fica só com o sabor quente do chá e os olhos a piscarem da luz demasiado intensa. Deita pela varanda fora tudo o que tens trazido agarrado a ti: pequenas falhas, anseios, desejos vagos, o livro por escrever.»

Fecho os olhos e ao tocar no chá quente com os lábios concentro-me unicamente num rasto do seu corpo ainda quente nos meus dedos. O amor nada tem a ver com a mentira ou a verdade, eu aprendi. O que o amor muito grande faz é enlouquecer e eu já enlouqueci.

«Estou aqui. Não me vês? Estou aqui. Olha para mim.» dizia. E eu perguntava: «Olhaste para mim? Porque é que olhas para mim?». E ela calava-se.

Constantemente interrompidos por chegadas e partidas desfazem-se os beijos quando começamos a dá-los. Rasgamos abraços e tu dizes: «Podias ser um assassino, mas eu sem ti não acredito em mim». A vida é uma porcaria, digo, e depois arrependo-me.

[…]
Quem me livra deste amor que eu não escolhi?


Pedro Paixão, in Histórias Verdadeiras

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Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

sweet

Não é com vinagre que se apanham moscas.

provérbio popular


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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

avó

Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas nem as lagartas. Nunca dizem 'Despacha-te!'. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior. As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes. As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo. Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós. Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó, sobretudo se não tiver televisão.

Texto escrito por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo


[Sabes Avó, nunca amei ninguém como te amo a ti. Continuas – apesar de já não estarmos juntas vai para 7 anos – a ser a pessoa que melhor me conhece e que me acolhe nos braços fortes de mulher delicada e frágil. Continuas a ser a matriarca da família, a sorrir com o teu sorriso de menina e o olhar-me com os teus olhos sábios e ternos. Sabes Avó, às vezes sinto-me perdida e continuo a correr para ti para sossegar a minha tristeza. Continuas a ensinar-me tudo acerca da ternura, das flores, da lua e dos bichos e eu continuo a ler-te durante horas porque os teus olhos deixaram de ver as coisas deste mundo. Tenho muitas saudades tuas, apesar de te sentir todos os dias minha Avó.]

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

asas

[era do que hoje eu precisava]

[Getty Images]

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

deserto

Um a um, vou arrancando os espinhos.

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

croma

"... cores perdidamente vivas, sem sombra de delicadeza, verdes que eram azuis, azuis que eram violeta; o ouro dos recipientes para a água, pequenos e preciosos como escrínios; as concentrações da turba vestida de faixas de pano adejantes; os sorrisos nos rostos negros sob os turbantes brancos – tudo isso reverberava nos meus olhos, imprimindo-se na córnea com uma violência tal que a traçava."

Pier Paolo Pasolini, in O Cheiro da Índia

para sempre

quando for grande
[e tiver uma casa com jardim]
quero ter um destes
[quem diz um, diz dois ou três]


[Getty Images]

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

dark

Sei que deveria estar feliz. Aliás, a rejubilar de alegria e a salivar com a notícia. Depois de um Verão [inteirinho] sem Ferrero Rocher ou Mon Chéri, lá voltaram às prateleiras os chocolates mais "pseudo-elitistas" [o que eu gosto de inventar palavras!].
O Ambrósio andou a o oferecer rebuçados Flocos de Neve [quem se lembra?] à sua senhora toda a estação quente e agora já pode voltar a ter "a liberdade de pensar nisso" [seja lá o que for que ele pensa].

[Pena que eu só goste de chocolate negro e amargo.]

claustrofobia

Hoje o mundo inteiro parece-me demasiado pequeno. Há dias assim.

[Getty Images]

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

hoje apetecia-me…

para me adoçar o dia

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

evolução

Na expressão máxima da evolução humana o nosso corpo incluiria [de série] uma tecla Delete [para o cérebro] e uma tecla Restart [para o coração].
E tenho dito.

[Getty Images]

Terça-feira, 11 de Novembro de 2008

tsé-tsé

Fui picada pela mosca tsé-tsé. É a única explicação que encontro para esta vontade irreprimível de dormir.
A outra possibilidade é que esteja a recuperar de uma vida inteira de noites de sono curtas e mal dormidas, o que significa que estaria
[pelo menos] 4 anos a dormir ininterruptamente, o que se afigura fora de cogitação.

Pois bem, dormir faz bem. Nos adultos, entre 7 a 9h. Durante o sono são produzidas hormonas que ajudam a combater infecções e que regulam o nosso metabolismo; são estimulados os centros nervosos que intervêm no raciocínio, na concentração e na memória e é produzida a hormona do crescimento que nos adultos ajuda a formar massa muscular e a reparar as células e tecidos.

Por outro lado, quando se dorme pouco e mal, aumentamos o risco de desenvolver diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, excesso de peso, depressão, disfunções ao nível da percepção, concentração e capacidade de reacção e aumentamos sobremaneira o perigo de acidentes de viação.


[Getty Images]

[Tinha a ideia [peregrina] que dormir 1/3 da vida era uma colossal perda de tempo. Pois bem, para melhor muda-se sempre. Por isso, façam pouco barulho, fechem as janelas [que gosto de escuridão total] e
bons sonhos para todos.]

Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

o amor é...

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?...

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois?
espírito e calor!

O amor é o amor - e depois?!


Alexandre O'Neill, in Poesias Completas

Magestic

«Acaba de dar-se entre nós o exemplo do que deva ser um café. Trata-se do novo estabelecimento desta classe, que vem de inaugurar-se num dos grandes pontos centrais do Porto, à entrada da Rua de Santa Catarina. É um dos mais nobremente sumptuosos que conhecemos, pelo que se justifica bem o seu título: Magestic. […] As senhoras da melhor sociedade portuense frequentam-no e aqui está o exemplo aberto para uma nova e grata função do café no nosso país.»

André de Moura, in revista Illustração Portugueza, 1923


[ariana luna] Café Magestic, Porto, Novembro 2008

[Uma referência histórica e arquitectónica da cidade do Porto, o café
Magestic é um exemplo de bom gosto, aliando cultura e elegância num local repleto de charme.
Inaugurado a 17 de Dezembro de 1921 com o nome de Elite, mudando para o actual nome a 31 de Julho de 1922 com a entrada de um novo sócio. Local de tertúlias de artistas e escritores, a café Magestic apresenta-se como local privilegiado de convívio do meio intelectual da cidade do Porto. Encerra em Setembro de 1992 para um profundo restauro, reabrindo com a traça original em Julho de 1994 com todo o seu esplendor. Uma proposta sempre apetecível para um chá, um concerto de piano, um recital de poesia ou uma exposição de pintura.]

Quarta-feira, 5 de Novembro de 2008

formiga-rabiga

eu sou a formiga-rabiga
que te salta em cima
e te fura a barriga

eu sou a
cabra-cabrês
que te salta em cima
e te faço em três

[Lembrei-me disto um dia destes, algures perdido entre as memórias da infância. Alguém se recorda?]

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

chegou o frio

O frio. Os chás de menta e especiarias que aquecem as mãos. As meias de lã. Os cachecóis longos e coloridos. Os cappuccinos com uma pitada de canela e chocolate. Os filmes noite adentro, enrolada na manta. As torradas de pão de centeio com pouca manteiga no bar preferido sobre as dunas. Os banhos [muito] demorados. As mãos entrelaçadas debaixo da manta. Os chinelos quentinhos que substituem as havaianas. Os casaquinhos aconchegantes. As tardes a pintar junto à janela onde a chuva a fustiga e acaricia. Os chás de limonete a perfumar o ar. As músicas sempre a tocar nas sonolentas tardes de domingo. Os bolos de iogurtes ou de cenoura. As manhãs de sol com o frio [tão bom!] a cortar o rosto nos passeios junto ao mar. Livros que me abrem [sempre] novos mundos. As revistas e as almofadas espalhadas junto ao pouf vermelho. O chocolate quente no café secreto na minha praia. As árvores vestidas de todas as cores. A gabardine cor de chocolate. Os guarda-chuvas que perco algures em poucos minutos. As noites em que adormeço embalada ao som das primeiras chuvas.

[Getty Images]

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

nas minhas mãos

Hoje roubei todas as rosas dos jardins
e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

Eugénio de Andrade

[Getty Images]

Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

tempo

Era uma vez uma menina que queria ter tempo.
Tempo para si e para aqueles que gosta e que merecem os seus mimos.

Tempo para o fim-de-semana planeado a rir com os amigos distantes.
Tento para as suas palermices de menina [embora nunca as faça, pois esta menina porta-se demasiado bem para meu gosto].

Era uma vez uma menina que queria [muito] ter tempo.
Tempo para passaritar na areia dourada que faz cosquinhas nos pés.
Tempo para namorar o mar na sua praia e ver o sol a pôr-se devagarinho ao fim da tarde.
Tempo para escutar todas as músicas e ler todos os livros que esperaram pacientemente pelas mãos da menina.
Tempo para a sua [mágica] hora zen.

Era uma vez uma menina que queria [mesmo muito] ter tempo.
Tempo para congelar com a sua leica todas as imagens que os seus olhos [reguilas de menina] consideram imperdíveis.
Tempo para escrever todos os pensamentos originais que lhe perpassam o pensamento a 200 à hora.
Tempo para sonhar [faz-lhe tanta falta esse tempo].

Era uma vez uma menina.
Era uma vez.

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

pôr-do-sol procura-se!

Roubaram-me o pôr-do-sol. Nem mais!
Bastaram umas semanas [uns míseros dias, digo-vos eu!] e o Outono instalou-se no lugar que é seu por direito. O trabalho impede-me de chegar a horas de ver sequer o lusco-fusco. O tempo do sol-posto à hora do jantar vai ter agora que esperar longos meses.
Pensei em pedir o livro de reclamações, apurar responsabilidades junto do Ministério do Ambiente ou advertir as autoridades que é imperativo repor a ordem cromática no céu.
Não me aquietei. Somente continuo a deliciar-me com todas as imagens que arquivei na memória durante o verão.
Resta-me o cheiro do mar ao final da tarde, o silvo das gaivotas e a areia húmida nos pés.


[ariana luna] Paraíso Secreto algures no Norte, Outubro 2008

Terça-feira, 21 de Outubro de 2008

Ney inclassificável

[ariana luna] Ney Matogrosso, Coliseu do Porto, 19 de Outubro de 2008

[Ney camaleão num espectáculo intimista, pleno de cor, energia e sensualidade. O CD "Inclassificáveis" (a fervilhar de originais e óptimas adaptações de Cazuza) merece ser escutado em noite de estrelas.]

Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

genética

Deus meu, porque não me fizeste insensível e com uns bons neurónios a menos?

[Acredita que seria mais fácil. Bem mais fácil…]

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

prodigiosa contradição

Uma pessoa é um mistério, duas, com um abismo pelo meio, uma prodigiosa contradição.

Pedro Paixão, in Viver todos os dias cansa

[Getty Images]

Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

[Getty Images]

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

o mar de Sophia

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

[ariana luna] Setembro 2008

[Sophia escreveu muitos dos seus poemas sobre este mesmo mar. Olhando as mesmas águas. Sentindo esta mesma serenidade. Esta mesma paixão.

Na minha praia. No meu paraíso.]

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Museu da Chapelaria

Num museu de fachada imponente, pintado a amarelo e rosa-seco, numa pacata cidade do norte, esconde-se um espaço único na Península Ibérica. Um mundo de sonhos, de história, de arte, de sorrisos abertos e mãos generosas.
O Museu da Chapelaria, em S. João da Madeira, reuniu numa tarde solarenga e preguiçosa de sábado novos amigos, para horas de partilha, gargalhadas e olhares atentos perante a ternura, a paixão e as palavras sábias de 71 anos de experiência na arte de bem-fazer chapéus do Sr. Méssio Trindade, um senhor encantador que dedicou toda a sua vida a produzir e homenagear esse elegante e sofisticado acessório que a todos nos deliciou.

[ariana luna] Museu da Chapelaria, Setembro 2008

[ariana luna] Sr. Méssio Trindade – 81 anos de doçura, Setembro 2008

para o N.

[desculpa o atraso!]

[ariana luna] 2007

[um ano memorável, de renovação, fortalecimento, inspiração e realização pessoal]

Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

carta ao menino Jesus

Querido menino Jesus,
Prometes que se me portar bem e comer a sopa toda, me ofereces um destes no Natal para passear na praia?

[P.S. Se quiseres, podes ficar com a motosserra, mas desde já te aviso que o teu pai não te vai deixar usá-la tão cedo.]

Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

...

A dor é bactéria, cuspo viral, réptil viscoso que faz ninho. Assim que nos entra, nunca mais nos deixará. Mastiguemos ambas as palavras: nunca mais. Invade-nos silenciosa. Mistura-se com todo o sangue e tripas que há em nós, comanda-nos sem se deixar ver.
[…] Por mais que, com o passar dos anos, se tenha convencido de que seria capaz de perdoar. Que já passou, que não adianta ruminar o assunto, que tem que continuar a sua vida.
Julgamos, muitas vezes, que a dor já lá não há-de estar, confiantes no grande remédio que nos ensinam cura tudo.
O tempo.
E contudo há sempre um dia, um acontecimento, uma conversa, uma situação que observamos, ou esse tal objecto insignificante que reencontramos.
E a serpente morde-nos outra vez os tendões.


Rodrigo Guedes de Carvalho, in Canário

[Getty Images]


[A dor é um artifício da memória para que os obstáculos do nosso percurso fiquem vincados nas cicatrizes da alma. Não fecho os olhos, não finjo que não existe, não me atormenta nem sequer me inquieta. A minha dor – aninhada e sossegada cá dentro – convive pacificamente comigo e segreda-me que só existe porque sinto intensamente.
Hoje tive um sonho mau. Daqueles que não queria ter tido, porque me tolhe o sorriso e me contrai o coração até ficar pequenino como uma ervilha.]

Terça-feira, 23 de Setembro de 2008

?!*?#^;!*#'ª!

Porque é que sempre que anuncio que pretendo gozar os prazeres do sol, o tempo me troca as voltas?

[Getty Images]

[Sinceramente, não há pachorra!...]

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

sol & mar

[Getty Images]

[Este fim-de-semana vou passaritar para a minha praia. Desfrutem deste sol, sim?]

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

sempre o amor

Estranho como o sorriso de um bisturi.
Íntimo como um olho sem pálpebra aberto na nossa mão.
Deslumbrante como o rumor da passagem de um unicórnio.
Fiel como a súbita seda negra do medo.
Temível como o brilho da espada de fogo de um arcanjo.
Submisso como as ondas que rebentam contra a praia de um peito.
Devastador como a clareza de um olhar num espelho quebrado.
Inevitável como a ferida feita pela chuva num coração de pedra,
o amor chega um dia à nossa vida e nós não estamos.


Abelardo Linares
[texto inspirador surrupiado daqui]

[ariana luna] Setembro 2008

Sexta-feira, 12 de Setembro de 2008

refúgio

É bom ter um lugar secreto. Uma praia só minha.
O meu paraíso.

[ariana luna] Paraíso Secreto algures no Norte, Setembro 2008


[para escutarem no vosso paraíso secreto]

Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008

inquietude

hoje é um daqueles dias em que
estou bem aonde não estou*
*

[Getty Images]

* Estou além de António Variações

Terça-feira, 9 de Setembro de 2008

utopia

Deveria haver um lugar onde todo o ser humano pudesse viver livremente como um cidadão do mundo. Um lugar onde o despertar do homem e o seu progresso interior se fizessem na harmonia entre o corpo e o espírito. Um lugar onde as artes se encontrassem a fim de acordar as consciências. Um lugar consagrado a criar relações de fraternidade entre os homens e a fazer prevalecer a paz no mundo.

Ten-Chi, 1978

[ariana luna] Lugar Secreto perdido no tempo, Setembro 2007


[Pode parecer um discurso quixotesco de candidata a Miss Portugal, mas se "Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce"… ]

Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

unforgettable

Fazes-me chorar sempre que [penso que] te toco.

[ariana luna] Mercearia no Paraíso Secreto algures no Norte, Setembro 2008

[para escutar
nas longas noites de insónia]

Sexta-feira, 5 de Setembro de 2008

gene 334

Foi finalmente encontrada a peça perdida do puzzle, descoberto o fulcro da questão, solucionado o busílis de milénios de mentes masculinas insatisfeitas e famintas de variedade. Segundo as últimas investigações, o gene 334 é [científica e absurdamente] o responsável pela infidelidade masculina.

[Getty Images]

[Qual de vocês, feito investigador e aborrecido com o bife no prato, resolveu sair para caçar e alegou semelhante patranha?]

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

quem sabe um dia...

Agora que te encontrei posso parar de me procurar...

Sarah Kane in Crave

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

profecia

esta madrugada perfilhei as pisadas
que me deixaste na memória
persegui-lhes o trilho que me escavaste no ventre
para amansar as palavras na certeza de um puro despertar


[ariana luna]

[Getty Images]

[para escutar sob um céu azul índigo, salpicado de estrelas]

Quinta-feira, 31 de Julho de 2008

tentação

Resiste a tudo menos à tentação.

Oscar Wilde

Terça-feira, 29 de Julho de 2008

myself

[tenho saudades minhas]


[ariana luna] 2007

[muitas. tantas...]

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

desejo

Chegaste. Eu não te esperava. Contigo trouxeste a ternura, o desejo e, mais tarde, o medo. Chegaste e eu não conhecia essa ternura, esse desejo. Em casa, no meu quarto, neste quarto, revi os teus olhos na memória, a ternura, o desejo. E, depois, aquilo que eu sabia, o medo. E passou tempo. Eu e tu sentimos esse tempo a passar mas, quando nos encontrámos de novo, soubemos que não nos tínhamos separado.

José Luís Peixoto, in Antídoto

[Getty Images]espaço

[para escutar nas noites mais iluminadas que os dias]

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

um passo de cada vez

[ariana luna] Paraíso Secreto algures no Norte, 2008

[para escutar a saborear o marulhar das ondas]

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

o mar no coração

Acendo um cigarro e falo com o meu coração:
Esta noite tive um sonho; conheci um homem que tinha o mar no lugar do coração, e quando sentia o seu corpo contra o meu, ouvia lá fora a fúria do mar.

Al Berto


[ariana luna] Paraíso Secreto algures no Norte, 2008

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

ainda sou do tempo...

[Capri-Sonne, quem se lembra? Uma das gulodices da minha meninice. Ontem fui presenteada com todos os sabores, para matar saudades de uma infância muito feliz.]

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

silenciosamente

[Getty Images]

[para escutar com o precioso silêncio do mar]

Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

chuvinha da boa

Basta eu referir despreocupadamente que conto os dias por sol e preguiça e lá começa a cair [aqui no Porto, pelo menos] sorridente chuvinha da boa, todo o santo fim-de-semana. Daquela que molha e que impede [a maioria das pessoas] de ir à praia e gozar os prazeres do sol.

[Getty Images - manipulada digitalmente]

[Ei, tu aí em cima?! Que sentido de humor inoportuno!...]

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

preguiça

sol e preguiça [é só disto que eu preciso]

[Getty Images]

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

gula

Amanhã inicio-me como aprendiza nas artes culinárias com quem percebe muito do assunto.

[Getty Images]

[Suspeito que vou adorar.]

Quinta-feira, 3 de Julho de 2008

morder-te o coração

Não tenho coração, pensava nas noites em que ficávamos a olhar o reflexo da lua no Atlântico.
Tu contavas a história do duende prateado que tem de acender as luzes todas do mar da tranquilidade. Ele que prometeu ao Sol que pode dormir sossegado. Haverá sempre uma luz para espantar as coisas más.
Quando me fui embora, não deixei morada.
Hoje, quero que saibas que não te disse nada e que quando te pedi para me morderes o coração era só para me certificar de que ele existia no meu peito. Tu preferiste beijar-me, nunca me mordeste e, assim, fiquei sem saber.
[…]
Como num filme vi o teu corpo desintegrar-se, em pedaços, cinzentos como o teu casaco, frágeis como o teu lugar neste sítio, silenciosos como a minha memória da tua voz.
Morder-te o coração, o teu coração incompleto. Sim, ainda tenho um pedaço pendurado, visceral, animal, um pedaço teu misturado com a minha saliva, com a minha ideia de satisfação, de saciar a fome do mundo.
Quando disser o teu nome
Maria


Patrícia Reis, in Morder-te o coração


[DeviantArt - manipulado digitalmente]

Quarta-feira, 2 de Julho de 2008

atitude #2

[ariana luna]

Terça-feira, 1 de Julho de 2008

calorias

As calorias são pequenos animais que moram nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.

[Getty Images]

[Quero lá saber! Apetece-me tanto um gelado…]

punhal na carne

Arrebatados, capturados por uma imagem, apenas uma imagem, uma simples imagem que os deixava expostos e indefesos. Os encontros, a exploração embriagada da perfeição, a adequação inesperada do objecto de desejo, a doçura do começo, o tempo próprio do idílio. Delírios, desejos, esperanças, fantasias, sonhos, sofrimentos, feridas, angústias, ressentimentos, desesperos. A paisagem destruída de um casal depois da fúria devastadora da paixão.

[Imagem da peça "Punhal na Carne"] Teatro do Campo Alegre, Junho 2008
Texto Original "Como Um Punhal nas Carnes", de Maurício Kartun
Adaptação e Encenação de Júnior Sampaio
Interpretação de Clara Nogueira e José Fragoso

[Fragmentos de uma intensidade feroz revelados com o desejo à flor da pele.]

Sexta-feira, 27 de Junho de 2008

fundo do mar

Quero ver
o fundo do mar

esse lugar
de onde se desprendem as ondas

e se arrancam
os olhos aos corais
e onde a morte beija
o lívido rosto dos afogados

Quero ver
esse lugar
onde se não vê

para que
sem disfarce
a minha luz se revele
e nesse mundo
descubra a que mundo pertenço


Mia Couto


[Getty Images]

[Um dia descobrirei todos os mistérios das águas de todos os mares. As cores únicas, a luz sublime reflectida na água, a admirar extasiada todos os seres, numa dança lenta…]

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

cave

Duas pessoas são duas pessoas. Nunca nos pomos a pensar nisto assim, mas é inultrapassável. Queremos sempre acreditar que um casal, por exemplo, são duas pessoas que se escolheram um ao outro para partilharem. Para viverem como cúmplices. E isso até pode acontecer muito tempo, numa data de coisas.
Mas há sempre uma cave dentro de nós. Nunca, mas nunca mesmo, saberemos tudo acerca do outro. Só não percebo porque me faz isso sofrer se parece que estou a concluir que é natural, que as coisas são mesmo assim.
[…]
Ouviste cave e achas adequado, mas poderia ter dito gruta, caverna escura, essas catacumbas de que não abrimos mão, que encerramos a sete mil chaves que engolimos.
Quem és tu que viveste comigo.
Que guardavas tu nessa cave. Como foi possível tocarmo-nos sem nos revelarmos.


Rodrigo Guedes de Carvalho, in Canário

Quarta-feira, 25 de Junho de 2008

atitude

[ariana luna] Pavilhão Chinês, Lisboa, Maio 2008

[A nossa evolução depende, em grande parte, da nossa atitude perante a vida. Ela é curta demais para que cruzemos os braços, lamentemos as perdas, acarinhemos os medos, afastemos os sonhos ou soframos antecipadamente com os problemas que o futuro ainda nos colocará no caminho para nos desafiar uma vez mais.]

Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

a sangue e fogo

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.


Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


Pablo Neruda


[ariana luna] Janeiro 2008

Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

cactos

Gosto de cactos.

[São interessantes; têm formas ousadas e cores altivas; são aparentemente fortes e incrivelmente frágeis; não requerem muitos cuidados nem se deixam tocar.]

[ariana luna] Junho 2008, cacto Gymnocalcium

[Partilho este gosto com a minha tia A., que de tempos a tempos, encontra outro cacto ainda mais catita para me oferecer. Este foi o último.]

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

tanto com tão pouco

Três dias no Porto, num hotel na Foz, com uma nesguinha de mar na janela. À noite, mesmo com as luzes do quarto apagadas, um halo de milagre sobre a cama, um dia mais secreto, mais íntimo, a modelar as coisas e os corpos. A claridade vinda não sei donde, da pele talvez, transfigurava tudo, as almofadas inchavam de luz, cada prega do lençol desfazia-se numa cadência de onda. O silêncio da rua que o silêncio da chuva, de tempos a tempos, aumentava, acrescentando palavras às vozes. Meu Deus, como com tão pouco se constrói o mundo. […]

António Lobo Antunes, in revista Visão [5 de Junho de 2008]

Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

pensamento para Al Berto

agora que o teu corpo é só miragem
e fluis em cada verso construído,
não sei como falar-te.
talvez te encontre no
corredor de um pensamento

limado com a pureza inicial
de quem arranca da alma tudo que a contamina
para acolher somente o
riso, o desejo e o silêncio.

não sei como dizer-te
que te escutei noites a fio
nas páginas fluentes em delírios

ainda habitas todos aqueles que gozam
com o vento a açoitar a face
e lambem a chuva que se esvai do olhar.

não te direi adeus.
apenas te confio este poema
embrulhado num qualquer murmúrio...


[ariana luna]
13 de Junho de 1997

[Alinhavei este poema com minúsculos fios de lua no dia da tua morte.
Entrego-to hoje, 11 anos depois.
No dia em que Al Berto morreu – num dia quente de 13 de Junho – o mundo ficou irremediavelmente mais pobre e mais cinzento. Bebi-lhe as palavras em tragos largos durante toda a minha adolescência, pedindo sempre mais. Senti que tinha perdido um irmão e chorei o seu silêncio, a sua morte e a sua irremediável ausência. Mesmo sem nunca o ter conhecido.]

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

imprevisibilidade

Nunca são as coisas mais simples que aparecem quando as esperamos. O que é mais simples, como o amor, ou o mais evidente dos sorrisos, não se encontra no curso previsível da vida. Porém, se nos distraímos do calendário, ou se o acaso dos passos nos empurrou para fora do caminho habitual, então as coisas são outras. Nada do que se espera transforma o que somos se não for isso: um desvio no olhar; ou a mão que se demora no teu ombro, forçando uma aproximação dos lábios.

Nuno Júdice


[Getty Images]

Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

inveja

Do lat. invidìa, significa o desejo de possuir algo que outra pessoa possui ou de usufruir de uma situação semelhante à de outrem; cobiça;

[Alegrarmo-nos com a felicidade e o sucesso dos outros significa não só crescimento interior, mas sobretudo uma paz de espírito e um olhar sereno e confiante perante a vida. Pelo contrário, a inveja – um dos sentimentos mais mesquinhos do ser humano – mostra somente pequenez de carácter. Sonhar os sonhos dos outros deve ser mesmo aborrecido…]

Domingo, 8 de Junho de 2008

fashion addicted

Nada é mais belo que um corpo nu. A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama. Para as que não tiveram essa felicidade, eu aqui estou.

Yves Saint Laurent (1936-2008)

Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

futebol versus sexo

Apesar da euforia e da colossal ilusão dos portugueses, adeptos fervorosos e incondicionais da sua selecção nacional (que já comemoram mesmo antes do campeonato começar), segundo um estudo (publicado pela Agência Lusa a 19 de Maio) realizado pelo Social Issues Research Centre em 17 países europeus (com o apoio em Portugal do Departamento de Sociologia da Universidade do Porto), 83% dos portugueses "troca um jogo de futebol por sexo".

Conhecemos tudo dos nossos jogadores. Onde moram, a família, a mulher platinada, a vizinha do lado, o cão e o piriquito, as roupas de marca, as casas pirosas, os carros com motores potentes e afins. No entanto, na hora do jogo (e apesar de, segundo o mesmo estudo, 73% considerar que o futebol "é uma religião" e 35% referir que é "a coisa mais importante da vida" ), quando todas as cartas são lançadas e os nossos heróis suam as estopinhas, se o instinto soa mais alto… existe sempre a repetição no telejornal para ver…

[Getty Images]


[Confesso que este estado febril, de selecção nacional ao pequeno-almoço, almoço, jantar e ceia estava a deixar-me preocupada, mas afinal somente 17% dos portugueses é que são parvos. Vá lá, podia ser pior…]

Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

frozen moment

Sometimes love is hiding between the seconds of your life.*

* do filme CashBack, de Sean Ellis

Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

fascínio

Sou fascinada desde sempre pelos Lenços dos Namorados. Designados também como "Lenços de Pedidos", eram o mote para a conquista do pretendente. As cores fortes, as palavras simples pejadas de erros ortográficos, os desenhos estilizados e mal amanhados, o enamoramento, a sedução subliminar, a simbologia romântica [com juras de amor eterno], campestre, náutica e religiosa, fazem destes pequenos lenços quadrados, peças de grande riqueza histórica do nosso país. Pensa-se que as origens desta tradição minhota remontam aos lenços senhoris dos sécs. XVII -XVIII, adaptados mais tarde pelas mulheres do povo, bordando-os com este aspecto característico.

Bai carta felis buando

Nas azas dum pasarinho
Cando bires o meu amor
Dale um avraso e um veijinho

Meu Manel bai pró Brasil
Eu tamen bou no Bapor
Gardada no coração
Daquele qué meu amor


[Não são um mimo?]

Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

cerejas

Deliciada com tantas cerejas...
[com as melhores cerejas do mundo... as do Fundão...]


[Getty Images]

[A minha reclamação de ontem resultou. Depois de uma semana tempestuosa (no final de Maio?!?), hoje está um dia radiante com céu azul e um sol lindo!...]

Quinta-feira, 29 de Maio de 2008

quero sol

Ei, aí em cima!? Qual foi a parte de "quero sol" que não percebeste?

[tenho que te fazer um desenho ou
explicar-te como se tivesses 4 anos?]

[Getty Images]

Terça-feira, 27 de Maio de 2008

tango

Este ano vou aprender tango.
[ao som de Piazzolla... vou-me deixar levar...]

[Getty Images]

Domingo, 25 de Maio de 2008

cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço. […]
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos


[Getty Images]

Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

voar

Um dia destes levanto voo.
[qualquer dia destes... sem pressas...]

[Getty Images]

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

curvas

Não é o ângulo recto que me atrai.
Nem a linha recta, dura, inflexível,

criada pelo homem.

O que me atrai é a curva livre e sensual.
A curva que encontro nas montanhas

do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas ondas do mar
nas nuvens do céu,

no corpo da mulher preferida.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein.


Oscar Niemeyer

[DeviantArt]

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

homens

Os homens são brutos e insensíveis. Matam mais criancinhas, portam-se pior à mesa, cospem e coçam-se mais. Os homens – e sobretudo os homens que gostam de mulheres – são menos inteligentes, menos delicados e menos civilizados que as mulheres. A única coisa que têm a favor deles, à parte de certas características discutíveis, como serem menos histéricos, é as mulheres gostarem deles.
Por que é que as mulheres gostam dos homens? Como lésbica que sou nunca entendi.

Miguel Esteves Cardoso


[Depois de uns dias com 3 cromos – daqueles de colecção, raros e com impressão metálica, onde o texto citado assenta como uma luva – começo a dar mais valor a alguns homens…]

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

bonsai

Procuro um Bonsai.

[Ainda não descobri o meu bonsai, embora tenha apreciado num local mágico, dezenas destas pequenas árvores que me transportam para um jardim secreto, onde só cabem sonhos felizes…]

Domingo, 11 de Maio de 2008

blueberry kiss

Às vezes olhamos para as pessoas como um espelho. E esse reflexo faz com que gostemos mais de nós próprios. *

* do filme
My Blueberry Nights, de Wong Kar Wai

[the juicy kiss]

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

acordo ortográfico

Não vou falar das novas regras a serem implementadas a breve trecho, do meu desagrado por este delapidar da nossa cultura ou tampouco das inúmeras cedências de Portugal para fazer parte do rebanho.
Vou antes falar do meu amor pelo meu país e em especial pela minha língua, a expressão máxima de um povo.


Gosto da palavra desde que me conheço por gente.

Gosto-lhe da forma, da fonética, do seu desenho ondulante, da forma como o som brinca com a minha língua e como a minha respiração se altera para a pronunciar.
Não gosto de gíria, de calão, de palavras abreviadas para escrever no telemóvel ou no msn. De palavrinhas nem de palavrões. Amo demasiado a minha língua para o fazer.
Gosto de palavras novas e de palavras de sempre. De sotaques, de expressões idiomáticas e de cariz popular. De palavras com gente dentro.
Não gosto que falem mal da minha língua nem que me obriguem a falar uma outra no meu país.
Gosto de fazer amor com as palavras nos meus poemas. De as lamber e trincar. Devagarinho. Para lhes sentir o aroma e o sabor.


Não quero alterar a minha escrita.
Não me quero perder num mar de palavras cujo traçado vou desconhecer.
Não quero recear escrever incorrectamente e estar sempre em dúvida.
Não quero que me tirem a identidade. Não quero.


[ariana luna]

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

carta de amor

Adoro-te minha gata de Janeiro meu amor minha gazela meu miosótis minha estrela aldebaran minha amante minha Via Láctea minha filha minha mãe minha esposa minha margarida meu gerânio minha princesa aristocrática minha preta minha branca minha chinezinha minha Pauline Bonaparte minha história de fadas minha Ariana minha heroína de Racine minha ternura meu gosto de luar meu Paris minha fita de cor meu vício secreto minha torre de andorinhas três horas da manhã minha melancolia minha polpa de fruto meu diamante meu sol meu copo de água minhas escadinhas da Saudade minha morfina ópio cocaína minha ferida aberta minha extensão polar minha floresta meu fogo minha única alegria minha América e meu Brasil minha vela acesa minha candeia minha casa meu lugar habitável minha mesa posta minha toalha de linho minha cobra minha figura de andor meu anjo de Boticelli meu mar meu feriado meu domingo de Ramos meu Setembro de vindimas meu moinho no monte meu vento norte meu sábado à noite meu diário minha história de quadradinhos meu recife de Manuel Bandeira minha Pasargada meu templo grego minha colina meu verso de Höderlin meu gerânio meus olhos grandes de noite minha linda boca macia dupla como uma concha fechada meus seios suaves e carnudos meu enxuto ventre liso minhas pernas nervosas minhas unhas polidas meu longo pescoço vivo e ágil minhas palavras segredadas meu vaso etrusco minha sala de castelo espelhada meu jardim minha excitação de risos minha doce forquilha de coxas minha eterna adolescente minha pedra brunida meu pássaro no mais alto ramo da tarde meu voo de asas minha ânfora meu pão-de-ló minha estrada minha praia de Agosto minha luz caiada meu muro meu soluço de fonte meu lago minha Penélope meu jovem rio selvagem meu crepúsculo minha aurora entre ruínas minha Grécia minha maré cheia minha muralha contra as ondas meu véu de noiva minha cintura meu pequenino queixo zangado minha transparência de tules minha taça de oiro minha Ofélia meu lírio meu perfume de terra meu corpo gémeo meu navio de partir minha cidade meus dentes ferozmente brancos minhas mãos sombrias minha torre de Belém meu Nilo meu Ganges meu templo hindu minha areia entre os dedos minha aurora minha harpa meu arbusto de sons meu país minha ilha minha porta para o mar meu manjerico meu cravo de papel minha Madragoa minha morte de amor minha Ana Karénine minha lâmpada de Aladino minha mulher.

Lobo Antunes

[texto gentilmente enviado por este menino]

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

prazeres

Foram dias de risos, amigos, viagens, encontros, cumplicidades, partilha, jantares de palhaçada, descoberta de novos lugares, maresia, reencontros, novos amigos, gargalhadas noite adentro, miradouro sobre as luzes ténues da cidade, noite quente na Baía, cantoria das músicas da nossa infância, chá de frutos da paixão, passeios em Sintra, museus repletos de memórias, ruas históricas, lojas com objectos irresistíveis, pequenos-almoços em cafés estranhamente simpáticos, esplanadas na marina, novos sabores, conversas até adormecer, andorinhas na varanda, 19 aviões pela madrugada, conversas sobre carros e mais carros, pequenos segredos, sorrisos e olhares que riam mais ainda, recordações felizes, abraços sentidos, gatos espalhados a colorirem a minha noite, tostas de mozzarella, baleias às riscas, caminhadas intermináveis, coração tranquilo.

Enfim… dias de prazeres.


[ariana luna] Lisboa, Maio 2008

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

eternidade

Fizeste-me sentir que ainda era possível abrir portas diante de uma parede sem portas, que talvez não fosse o fim mas o começo de tudo.
O que mais quero de ti é muito mais difícil do que tudo que um corpo pode dar. Quero que me ensines a amar, que ainda vou a tempo. Enquanto o prazer escapa entre os dedos finos sem deixar rasto, o amor, por definição, é eterno. Não tem princípio nem fim porque quem vive no seu presente vive na eternidade.

Pedro Paixão


[ariana luna] Setúbal

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

açafrão

Não gosto de amarelo. Confesso. Essa cor cansa-me os olhos.
Por isso este ano não posso estar na moda. Nesta estação nada é mais fashion que o amarelo. Para onde quer que olhe, lá está. O amarelo invadiu todas as montras. Contaminou a minha cidade e todas as outras.
Apaixonada que sou pelo universo da cor, esta em especial fere-me o olhar, treinado para distinguir milhares de cores Pantone, avaliar provas de impressão, conceber peças gráficas com composições cromáticas pouco previsíveis, articular cor e luz para ambiências apetecíveis.

No entanto, sabendo que para todos os males, existe um remédio, lá descobri um amarelo que passou à tangente no teste: o amarelo-açafrão.
Lembra-me Marrocos, calor, comida indiana, olhares penetrantes, tecidos ao vento.


[Getty Images]

Açafrão deriva do árabe az-zá afran, aglutinado na palavra azzafaran, que nada mais significa que amarelo.

A planta do açafrão provém da família das Iridáceas, também designada açafroeira ou açaflor e, segundo consta, para obter alguns gramas de açafrão, são necessários milhares de flores desta especiaria.

imprevisibilidade

Life was like a box of chocolates.
You never know what you're gonna get. *

[Getty Images]

* do filme Forrest Gump

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

o licor do poema

Na noite em que bebeste medronho, e me pediste a lua, ouvi os deuses cantarem de dentro das pedras. Enquanto me fazias perguntas, e eu te olhava como se nunca te tivesse visto, limitei-me a recolher o canto que subia da terra, como se nele estivesse a resposta que me pedias. E entre o pedaço de seio que subsiste dessa noite, e a lua que não fui buscar, o tempo escorre pelas mãos que guardaram a tua voz, como se fosse um fruto, e a deixaram macerada nos meus ouvidos, para que dela nascesse o licor do poema.

Nuno Júdice

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

incompreensivelmente

O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.

Miguel Esteves Cardoso, in Elogio ao Amor


[Getty Images]

[Hoje acordei com um céu azul e um sol morno que me aqueceu a alma. E só por isso vale a pena querer acordar de manhã bem cedo. Bom fim-de-semana e façam o favor de ser felizes.]

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

inquietude

Admito que gostava de saber, mas apetece-me ir descobrindo...

Se o rio afinal corre para o mar, se os sonhos se prolongam para a infinitude, ou se morrem arrancados à nascença, como frutos rejeitados de uma árvore superior.
Admito que a liberdade não é o bem supremo. É essencial, não supremo.
Suprema é a vida, é o sangue que nos escorre por entre os dedos, é o filho que tomamos nos braços, é o amor sem rede, a paixão ininteligível sem margens.
Supremo é o momento em que nos entregamos sem medo, é o dia em que sentimos estar preso por vontade, é o fogo a tingir de vermelho o meu corpo em chamas, é sorrir sozinho às escuras, é adivinhar um dia glorioso numa manhã tempestuosa, é desejar, é querer, é sobretudo sentir.

Sentir sem reservas. Suprema é a inquietude de não saber o que anuncia o dia de amanhã.

[ariana luna]

[Getty Images]

[Eu tentei, mas não me deixaram. Aliás, tenho provas irrefutáveis como até me incentivaram à lamechice. Por isso, agora não aceito pedidos do livro de reclamações, estamos entendidos?]

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

lamechice

É impressão minha ou este blog anda a resvalar para a fronteira da lamechice?
Para o que me havia de dar!...


[Getty Images]

[Tenho que reverter esta tendência. Férias, é do que eu preciso! Um fim-de-semana prolongado, para ser mais realista…]

diz a verdade

se te perguntarem por nós, sobre
que coisa fazemos quando estamos
juntos, diz a verdade

que deslocamos os cometas sem
querer, as estrelas para desenhos e

a lua garantindo o amor

diz a verdade sobre a intervenção
na cósmica escolha dos casais,
a obrigação de nos obedecer

não fosse o universo desentender quem
somos e favorecer a separação ou,
pior, o não nos havermos conhecido

Poema de Valter Hugo Mãe
Música de Paulo Praça


[Para
escutar com a chuva a bater na janela...]

Domingo, 20 de Abril de 2008

capacidade

O amor não é um sentimento.
É uma capacidade.*

* do filme Dan in real life

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

grifo

seja o amor um grifo esfomeado
cujas garras nos esventram o vazio

devolvendo-nos a vida por um fio
a cada passo do amor anunciado

um pássaro de dor e de prazer
que nos concede as asas p'ra voar

cada vez que o teu corpo se moldar
ao meu corpo pasmo de querer


essa ave de paz e claridade
que plana em céus desconhecidos
é uma instigadora dos sentidos
sem morada, sexo ou idade

habita em todos nós encurralado
um grifo que arranca lá de dentro
o mais dissecado sentimento
que não foi ainda decifrado


[ariana luna]


[Getty Images - manipulada digitalmente]

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

tudo

O amor é um animal selvagem que chega até nós em silêncio. Aloja-se em nós e ocupa cada ponto do nosso corpo, mais, toda a nossa vida. O seu poder de contaminação é total. Basta um olhar. O amor é esse conflito permanente e completo: liberta e agarra, é doçura e amargura, refaz e desfaz, ressuscita e adormece, faz-nos sonhar e confronta-nos com a realidade pura e dura, dá à luz. Mas também tem o poder de nos matar.
No amor oscilamos entre tudo poder ser e nada poder ser, a impossibilidade de tudo. É este o amor, é esta a nossa vida.
Tu sabes, não sabes? Eu sei muito pouco, quase nada. De ti quero aprender tudo. O melhor e o pior. O resto é-me indiferente.

Pedro Paixão, in Ladrão de Fogo

[ariana luna] 2007

[Talvez o amor seja assim, como o mar.
Por vezes com ondas suaves, outras intempestivo, outras ainda a fintar-nos e a atirar-nos ao espumaço. Basta que não percamos este laço incompreensível a que chamam de amor, o desejo e a esperança de encontrar a onda grande e perfeita.]

Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

devagarinho...

Não vou pôr-te flores de laranjeira no cabelo
nem fazer explodir a madrugada nos teus olhos.


Eu quero apenas amar-te lentamente
como se todo o tempo fosse nosso
como se todo o tempo fosse pouco
como se nem sequer houvesse tempo.

Soltar os teus seios.
Despir as tuas ancas.
Apunhalar de amor o teu ventre.

Joaquim Pessoa


[Getty Images]

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

cumplicidade

Foi um processo longo e difícil, como sempre o são as aproximações entre duas pessoas habituadas a estarem sozinhas. Primeiro parece fácil, é o coração que arrasta a cabeça, a vontade de ser feliz que cala as dúvidas e os medos. Mas depois é a cabeça que trava o coração, as pequenas coisas que parecem derrotar as grandes, um sufoco inexplicável que parece instalar-se onde dantes estava a intimidade. É preciso saber passar tudo isso e conseguir chegar mais além, onde a cumplicidade – de tudo, o mais difícil de atingir – os torna verdadeiramente amantes.

Miguel Sousa Tavares

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

infância

Hoje não quero ser grande.

Quero voltar a ser pequenina
a ter sonhos tranquilos
a adormecer nos teus braços
a sentir a ternura do teu olhar
a acariciar as tuas mãos sulcadas pelo tempo

a comer torradas cheias de manteiga com cevada

Quero voltar a ser pequenina
a ter nos meus olhos todos os sonhos do mundo
a correr descalça pelos campos com as primas
a tomar banho no ribeiro ao fim da tarde
a fazer colares de flores para o cabelo

Quero voltar a ser pequenina
a sentir o aroma a alfazema nas gavetas
a admirar os teus vestidos de avó-princesa
a escutar atenta tudo o que me ensinavas
sobre as flores, os bichos, a lua e as marés
a desconhecer palavras como saudade e tristeza


Quero voltar a ser pequenina
para te ter à minha beirinha para sempre
e dizer que te amo todos os dias


[ariana luna]

[DeviantART]

[Hoje um sonho menos bom faz-me ter vontade de voltar a ser pequenina.]

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

pergunta-me

Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue

Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos

Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive

junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via

na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente

Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber

para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer

Mia Couto


[ariana luna] Setembro 2007

[Quando descobri este poema não consegui conter uma lágrima, que se escapou sem que desse conta. Existem poemas assim. Cuja beleza das palavras me aquece nos dias mais frios.]

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

you

Sonho contigo desde que nasci.
Minto. Sonho contigo muito antes de nascer.
Muito antes do mundo ser mundo.
Antes até de existir vida.
Amei-te antes de respirar pela primeira vez e amo-te todas as noites no preciso milésimo de segundo que antecede o adormecer.
[Dizem que por vezes estremeço suavemente antes de adormecer.]

Sonho sobretudo com o teu olhar que tudo diz, muito mais que todas as palavras. E com as tuas mãos que, sem nunca me terem tocado, me tacteiam por fora e por dentro.

Hoje sonhei contigo mas não te vi. Ainda não te consegui ver.
Um dia, quando nos cruzarmos [nesse instante iluminado], a vida ficará suspensa e eu saberei que és tu.
Saberemos os dois.


[ariana luna]

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

aquário

Ontem, alguém com quem tinha trocado somente algumas frases pergunta-me se era do signo de Aquário. Questionei-o sobre o porquê da pergunta, pois a nossa conversa nada tinha a ver sobre o assunto. Para não me alongar na matéria, respondi-lhe efectivamente que era, mas fiquei a pensar porque é que várias pessoas (sim, não foi o primeiro caso) já me perguntaram se era do signo Aquário.
Não percebo nada de assuntos místicos ou astrológicos. Por isso, fiquei sem saber se ser nativa do signo de Aquário é sinal para preocupação. Para agravar a situação, segundo consta, sou aquariana pura, ou seja, Aquário com ascendente em Aquário.

Por isso, quem perceber do assunto, partilhe, sim? Esta aquariana agradece.

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

intervalo publicitário

perception

If the doors of perception were cleansed
everything would appear to man as it is,
infinite.


William Blake


[ariana luna] algures, num fim de tarde de 2007

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

quero

Rir-me contigo. Hoje.
Ao acordar.
À gargalhada.
Amanhã. Sempre.


[ariana luna] algures, 2007

Domingo, 30 de Março de 2008

gourmet

Segui o bom exemplo da BC e semeei várias ervas aromáticas para personalizar as minhas experiências culinárias.
Mas quando se faz alguma coisa, há que a fazer em grande estilo! Vai daí, utilizei estes recipientes apropriados para o efeito da
Eva Solo.
Um apetite, é o que vos digo!
Dentro de uns meses, terei os vizinhos a pedir raminhos da salsa [para perfumar], orégãos [para o tomate com mozzarella], manjericão [para o pesto] e coentros [para as saladas coloridas].